terça-feira, 19 de maio de 2015

NAUFRÁGIOS AMPLIAM CRISE HUMANITÁRIA NA EUROPA


CATÂNIA, Itália/LUXEMBURGO (Reuters) - Ministros das Relações Exteriores da União Europeia se reuniram nesta segunda-feira (20) sob pressão para produzir mais que palavras e evitar a morte de imigrantes desesperados no mar Mediterrâneo, enquanto corpos do naufrágio com mais mortes já registrado surgiram nas praias de Malta.
O saldo de mortos do desastre de domingo na costa da Líbia é incerto, mas deve ser o mais alto dos tempos modernos envolvendo imigrantes que são traficados em embarcações frágeis através do Mediterrâneo.
Autoridades disseram que havia pelo menos 700 pessoas a bordo, algumas supostamente trancadas no porão de carga. A tragédia aconteceu dias depois de outra na qual se acredita terem morrido 400 pessoas.
Centenas de quilômetros ao leste, membros da guarda costeira lutavam para salvar imigrantes de outro barco destruído depois de naufragar ao largo da ilha grega de Rodes.
Guardas-costeiros disseram que pelo menos três pessoas morreram no local. Imagens de televisão mostraram sobreviventes agarrados a destroços enquanto eram resgatados.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) afirmou que outras três embarcações enviaram sinais de socorro nesta segunda-feira.
As autoridades europeias correm para criar uma política que represente uma reação mais humana ao êxodo de pessoas que viajam pelo mar da África e da Ásia para a Europa sem piorar a crise estimulando mais pessoas a partirem.
Uma operação naval italiana no sul do Mediterrâneo, conhecida como "Mare Nostrum", foi cancelada no ano passado por causa do custo e da oposição interna aos resgates marítimos, que poderiam encorajar a imigração.
Em novembro, a ação foi substituída por uma missão bem menor da UE, com um terço do orçamento, uma decisão que parece ter tornado a jornada muito mais mortífera para os imigrantes, arregimentados por traficantes de pessoas que prometem uma vida melhor na Europa.
“Essa é uma emergência humanitária que envolve todos nós”, afirmou o diretor italiano da OIM, Federico Soda, que pediu que uma missão equivalente à operação italiana seja relançada imediatamente.
Até 1.500 imigrantes já morreram este ano tentando cruzar o Mediterrâneo, cifra que deve superar de longe os 3.200 que a OIM estima terem morrido fazendo a travessia no ano passado, dado que o pico do verão local ainda não começou. Menos de 100 das mortes de 2014 ocorreram antes de maio.
A OIM diz que mais de 21 mil pessoas já empreenderam a viagem até agora este ano, em comparação às 26 mil do final de abril do ano passado, mas com um saldo de mortes cerca de 15 vezes maior até o momento.

No domingo, a embarcação virou e afundou na costa líbia quando passageiros correram para um lado do barco para chamar a atenção de um navio mercante que passava. Um sobrevivente de Bangladesh afirmou que havia 950 passageiros a bordo, segundo a OIM.
O primeiro-ministro de Malta, Joseph Muscat, declarou nesta segunda-feira que a ONU deveria enviar uma força para intervir diretamente na Líbia interceptando ou atacando traficantes de pessoas e impedindo a partida dos barcos. A França pediu mais operações de busca e resgate no mar.
Fonte: http://www.brasil247.com/pt/247/mundo/177863/Naufr%C3%A1gios-ampliam-crise-humanit%C3%A1ria-na-Europa.htm

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Preconceito na UFRGS

Estudo aponta que 87% dos alunos da UFRGS têm algum preconceito de gênero ou contra diversidade sexual

"Travestis me dão nojo." "A homossexualidade masculina é uma perversão." Essas afirmações, entre outras 15 com as quais os alunos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) deveriam concordar ou não, foram base de uma pesquisa que investigou o preconceito contra a diversidade sexual e de gênero na instituição. 

O resultado: 87% dos alunos têm algum grau de preconceito. Publicado neste mês na revista científica Sexuality Research and Social Policy, o estudo do Instituto de Psicologia é o primeiro, em larga escala, que mapeia este tipo de postura em uma universidade brasileira.

— A homofobia e a transfobia devem começar a ser combatidas "dentro de casa" — explica o autor principal do artigo, Ângelo Brandelli Costa, sobre a motivação para realizar a pesquisa.
Dos 8.184 alunos que preencheram o questionário de forma anônima e voluntária — 30% do total de matriculados na UFRGS —, apenas 12,17% apresentaram nível mínimo de preconceito. De acordo com Brandelli, qualquer grau acima disso é preocupante, uma vez que a escala utilizada na pesquisa avalia o preconceito explícito a partir de afirmativas de extrema (in)sensibilidade, como as destacadas no início desta reportagem.
O nível de preconceito variou de acordo com o curso e com o perfil do aluno: homens, heterossexuais, pessoas que declaram ter religião, acadêmicos das faculdades de ciências exatas e aqueles que vêm de cidades com menos de 100 mil habitantes responderam de forma mais intolerante aos itens propostos.


— Isso é inaceitável para uma universidade que foi eleita três vezes a melhor do país. Outro resultado bem surpreendente é que não há correlação entre o tempo de permanência na universidade e o nível de preconceito. Isso escancara que a instituição não está ajudando na formação cidadã desses alunos — avalia o doutorando em Psicologia, que estuda o preconceito contra orientações não heterossexuais no Brasil desde o mestrado, iniciado em 2010.
Debate institucional sobre diversidade
Por meio de sua assessoria de imprensa, a UFRGS informou que faz ações para mitigar preconceitos, cumprindo seu papel na sociedade. Em dezembro, ressaltou, foi uma das primeiras universidades do país a criar a Política de Uso de Nome Social para Pessoas Travestis e Transexuais. Em agosto de 2013, na pós-graduação em Educação, formou-se a primeira mestre transexual da UFRGS. "São realizações que demonstram a vontade da universidade em promover a discussão sobre o problema", diz o texto.
A UFRGS destacou ainda que mantém o Núcleo de Pesquisa em Antropologia do Corpo e da Saúde (Nupacs), do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, o Núcleo de Pesquisa em Sexualidade e Relações de Gênero (NUPSEX), do Instituto de Psicologia, e o Grupo de Estudos de Educação e Relações de Gênero (GEERGE), da Faculdade de Educação, que também promove o Cinidhebate — ciclo de cinema que aborda Direitos Humanos.
Além disso, há iniciativas da comunidade acadêmica que são incentivadas pela universidade, como a Semana da Diversidade Sexual e de Gênero, promovida pelos estudantes da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico).
Brandelli reconhece as iniciativas, como a garantia ao uso do nome social — quando o nome de registro civil não está de acordo com a identidade de gênero do aluno — nos registros acadêmicos. Existe também o grupo G8-Generalizando, vinculado ao Serviço de Assessoria Jurídica Universitária da UFRGS, que presta assistência judicial às vítimas de violência, de homofobia e de violências cotidianas, principalmente lésbicas, gays, bissexuais e trans.
Ainda assim, os pesquisadores afirmam que uma formação ampla em direitos humanos, que contemple todos os cursos (o estudo aponta que cerca de 68% dos alunos nunca tiveram qualquer aula sobre o tema), poderia reduzir os índices de preconceito. No Brasil, os dados são alarmantes: segundo levantamento realizado em todo o país pelo Grupo Gay da Bahia em 2014, ocorre um homicídio causado por homo ou transfobia a cada 28 horas.
— Não temos marco legal nem políticas de combate à discriminação motivada por identidade de gênero e orientação sexual no país. O Plano Nacional de Educação saiu sem nenhuma menção a essa questão, deixando o Brasil, durante toda a próxima década, sem diretrizes para esta temática — diz Brandelli.
Doutora em Educação e presidente da ONG Reprolatina, que incentiva a educação sexual no ensino em toda a América Latina, Margarita Diaz não se surpreendeu com os resultados da pesquisa do Instituto de Psicologia da UFRGS. Segundo a educadora, tanto nas escolas quanto nas universidades, a temática sexual costuma ser abordada apenas do ponto de vista biológico.
— O papel de uma universidade não é apenas oferecer conhecimentos técnicos e cognitivos, mas formar seres humanos que convivam saudavelmente com a diversidade.
Fonte: Debate institucional sobre diversidade
Por meio de sua assessoria de imprensa, a UFRGS informou que faz ações para mitigar preconceitos, cumprindo seu papel na sociedade. Em dezembro, ressaltou, foi uma das primeiras universidades do país a criar a Política de Uso de Nome Social para Pessoas Travestis e Transexuais. Em agosto de 2013, na pós-graduação em Educação, formou-se a primeira mestre transexual da UFRGS. "São realizações que demonstram a vontade da universidade em promover a discussão sobre o problema", diz o texto.
A UFRGS destacou ainda que mantém o Núcleo de Pesquisa em Antropologia do Corpo e da Saúde (Nupacs), do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, o Núcleo de Pesquisa em Sexualidade e Relações de Gênero (NUPSEX), do Instituto de Psicologia, e o Grupo de Estudos de Educação e Relações de Gênero (GEERGE), da Faculdade de Educação, que também promove o Cinidhebate — ciclo de cinema que aborda Direitos Humanos.
Além disso, há iniciativas da comunidade acadêmica que são incentivadas pela universidade, como a Semana da Diversidade Sexual e de Gênero, promovida pelos estudantes da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico).
Brandelli reconhece as iniciativas, como a garantia ao uso do nome social — quando o nome de registro civil não está de acordo com a identidade de gênero do aluno — nos registros acadêmicos. Existe também o grupo G8-Generalizando, vinculado ao Serviço de Assessoria Jurídica Universitária da UFRGS, que presta assistência judicial às vítimas de violência, de homofobia e de violências cotidianas, principalmente lésbicas, gays, bissexuais e trans.
Ainda assim, os pesquisadores afirmam que uma formação ampla em direitos humanos, que contemple todos os cursos (o estudo aponta que cerca de 68% dos alunos nunca tiveram qualquer aula sobre o tema), poderia reduzir os índices de preconceito. No Brasil, os dados são alarmantes: segundo levantamento realizado em todo o país pelo Grupo Gay da Bahia em 2014, ocorre um homicídio causado por homo ou transfobia a cada 28 horas.
— Não temos marco legal nem políticas de combate à discriminação motivada por identidade de gênero e orientação sexual no país. O Plano Nacional de Educação saiu sem nenhuma menção a essa questão, deixando o Brasil, durante toda a próxima década, sem diretrizes para esta temática — diz Brandelli.
Doutora em Educação e presidente da ONG Reprolatina, que incentiva a educação sexual no ensino em toda a América Latina, Margarita Diaz não se surpreendeu com os resultados da pesquisa do Instituto de Psicologia da UFRGS. Segundo a educadora, tanto nas escolas quanto nas universidades, a temática sexual costuma ser abordada apenas do ponto de vista biológico.
— O papel de uma universidade não é apenas oferecer conhecimentos técnicos e cognitivos, mas formar seres humanos que convivam saudavelmente com a diversidade.
Fonte: http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/educacao/noticia/2015/05/estudo-aponta-que-87-dos-alunos-da-ufrgs-tem-algum-preconceito-de-genero-ou-contra-diversidade-sexual-4762850.html

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Jô Soares, direto ao ponto

Como o neto de Tancredo ainda não aprendeu nada de política?". Jô Soares volta a criticar obsessão de Aécio Neves pelo impeachment de Dilma Rousseff: "O que é que ele pensa? Que tiram a Dilma e vão botar ele?"


Há alguns anos Jô Soares costuma reservar um dia por semana do seu programa para tratar de assuntos políticos com jornalistas da área que são chamadas de ‘meninas do Jô’. Na semana passada, o apresentador global criticou a obsessão de Aécio Neves (PSDB-MG) em pedir o impeachment da atual presidente Dilma Rousseff (PT).
“Como é que um político que foi secretário de Tancredo [Neves], neto do Tancredo, secretário quando tinha 20 anos, não aprendeu ainda nada sobre política?”, questionou Jô.
“Ele agora recuou. Aécio neves recuou”, rebateu uma das jornalistas convidadas.
Jô insistiu no tema e lembrou que o ex-presidenciável tucano foi atrás de juristas que estivessem dispostos a embasar juridicamente a tese do impeachment de Dilma. O apresentador também criticou a postura do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
“É uma situação que parece coisa de república de patetas. Fernando Henrique Cardoso não tinha sequer que se pronunciar. O absurdo é tão grande que foram até procurar juristas [para viabilizar o impeachment] que só disseram: ‘ah, menino, vá procurar sua turma'”, enfatizou o apresentador.
Para Jô, as atitudes de Aécio não condizem com as de um candidato que angariou uma quantidade significativa de votos nas eleições presidenciais de 2014.
“Aécio, um candidato que teve uma quantidade de votos expressiva. O que é que ele pensa? Que tiram a Dilma e vão botar ele?”, questionou.
A propósito das consequências de um processo de impeachment, a jornalista Cristina Serra chamou a atenção para o desconhecimento de maior parte da população diante do que ocorreria em caso de impedimento presidencial.
“O pior é que muita gente que defende o impeachment não sabe o que acontece, de fato, se houver um processo de impedimento e qual é o desdobramento disso”, disse Cristina.
Fonte: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/05/aecio-nao-aprendeu-nada-com-o-avo-diz-jo-soares.html

terça-feira, 14 de abril de 2015

Pura verdade...


UFRGS divulga leituras obrigatórias para o vestibular de 2016

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) divulgou a lista das leituras obrigatórias para o vestibular de 2016. Confira: 
Fernando Pessoa: Coletânea:
1. Autopsicografia;
2. Isto;
3. Pobre velha música;
4. Qualquer música;
5. Natal...Na província neva;
6. Ela canta, pobre ceifeira;
7 Não sei se é sonho, se realidade;
8. Não sei quantas almas tenho;
9.Viajar! Perder países!;
10. Liberdade;
11. Lá fora vai um redemoinho de sol os cavalos do carrossel... ( poema V de Chuva Oblíqua);
12. O maestro sacode a batuta ( poema VI de Chuva Oblíqua);
13. Padrão (Mensagem);
14. Noite (Mensagem);
15. O infante ( Mensagem);
16. Mar português ( Mensagem);
17. Nevoeiro(Mensagem).
Aluísio Azevedo: O Cortiço;
Machado de Assis: Dom Casmurro;
Pe. Antônio Vieira: Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal Contra as de Holanda; Sermão da Sexagésima; Sermão de Santo António aos Peixes.
Caetano Veloso, Gilberto Gil, Mutantes e Outros: Tropicalia ou panis et circensis (álbum/disco);
Lídia Jorge: A noite das mulheres cantoras;
Tabajara Ruas: O amor de Pedro por João;
Sergio Faraco: Dançar tango em Porto Alegre. Lista de contos do livro:
  1. Dois guaxos;
  2. Travessia;
  3. Noite de matar um homem;
  4. Guapear com frangos;
  5. O vôo da garça-pequena;
  6. Sesmarias do urutau mugidor;
  7. A língua do cão chinês;
  8. Idolatria;
  9. Outro brinde para Alice;
  10. Guerras Greco-Pérsicas;
  11. Majestic Hotel;
  12. Não chore, papai;
  13. Café Paris;
  14. A dama do bar Nevada;
  15. Um aceno na garoa;
  16. No tempo do trio Los Panchos;
  17. Conto do inverno;
  18. Dançar tango em Porto Alegre.
Jorge Amado: Terras do Sem Fim;
Nelson Rogrigues: Boca de Ouro;
Murilo Rubião: Contos:
  1. O pirotécnico Zacarias;
  2. O ex-mágico da Taberna Minhota;
  3. Bárbara;
  4. A cidade;
  5. Ofélia, meu cachimbo e o mar;
  6. A flor de vidro;
  7. Os dragões;
  8. Teleco, o coelhinho;
  9. O edifício;
  10. O lodo;
  11. O homem do boné cinzento;
  12. O convidado;

Lya Luft: As Parceiras;
Fonte: http://colegiomarista.org.br/pioxii/biblioteca/ufrgs-divulga-leituras-obrigatorias-para-o-vestibular-de-2016

terça-feira, 7 de abril de 2015

Por que o Brasil está certo ao investir em Cuba



O investimento no Porto de Mariel amplia o alcance do comércio e a área de influência do Brasil.
Aliás, não é de hoje que o governo brasileiro tem boas relações com Cuba...
Dilma e Raúl Castro conversam durante a inauguração do Porto de Mariel
Causou certa indignação em determinados setores da sociedade brasileira a inauguração do porto de Mariel, em Cuba, na segunda-feira 27, com a presença de Dilma Rousseff. O espanto se deu por que a obra foi erguida graças a um financiamento do BNDES, que data ainda do governo Lula. Atribui-se o investimento a uma aliança ideológica entre os governos petistas e a família Castro, responsável pela ditadura na ilha. É um equívoco ver o empréstimo desta forma. Trata-se de um ato pragmático do Brasil.
O porto de Mariel é um colosso. Ele é considerado tão sofisticado quanto os maiores terminais do Caribe, os de Kingston (Jamaica) e de Freeport (Bahamas), e terá capacidade para receber navios de carga do tipo Post-Panamax, que vão transitar pelo Canal do Panamá quando a ampliação deste estiver completa, no ano que vem. A obra, erguida pela Odebrecht em parceria com a cubana Quality, custou 957 milhões de dólares, sendo 682 milhões de dólares financiados pelo BNDES. Em contrapartida, 802 milhões de dólares investidos na obra foram gastos no Brasil, na compra de bens e serviços comprovadamente brasileiros. Pelos cálculos da Odebrecht, este valor gerou 156 mil empregos diretos, indiretos e induzidos no País.
A obra “se pagou”, mas o interesse do Brasil vai além disso. Há quatro aspectos importantes a serem analisados.
O primeiro foi exposto por Dilma no discurso feito em Cuba. O Brasil quer, afirmou ela, se tornar “parceiro econômico de primeira ordem” de Cuba. As exportações brasileiras para a ilha quadruplicaram na última década, chegando a 450 milhões de dólares, alçando o Brasil ao terceiro lugar na lista de parceiros da ilha (atrás de Venezuela e China). A tendência é de alta se a população de Cuba (de 11 milhões de pessoas), hoje alijada da economia internacional, for considerada um mercado em potencial para empresas brasileiras.
Esse mercado só será efetivado, entretanto, se a economia cubana deixar de funcionar em seu modo rudimentar atual. Como afirmou o subsecretário-geral da América do Sul do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Antonio José Ferreira Simões, o modelo econômico de Cuba precisa “de uma atualização”. O porto de Mariel é essencial para isso, pois será acompanhado de uma Zona Especial de Desenvolvimento Econômico criada nos moldes das existentes na China. Ali, ao contrário do que ocorre no resto do país, as empresas poderão ter capital 100% estrangeiro. Dono de uma relação favorável com Cuba, o Itamaraty está buscando, assim, completar uma de suas funções primordiais: mercado para as empresas brasileiras. Não é à toa, portanto, que o Brasil abriu uma nova linha de crédito, de 290 milhões de dólares, para a implantação desta Zona Especial em Mariel.
Aqui entra o terceiro ponto, a localização de Mariel. O porto está a menos de 150 quilômetros do maior mercado do mundo, o dos Estados Unidos. Ainda está em vigor o embargo norte-americano a Cuba, mas ele é insustentável a longo prazo. “O embargo não vai durar para sempre e, quando cair, Cuba será estratégica para as companhias brasileiras por conta de sua posição geográfica”, disse à Reuters uma fonte anônima do governo brasileiro. Tendo em conta que a população cubana ainda consistirá em mão de obra barata para as empresas ali instaladas, fica completo o potencial comercial de Mariel.
Há ainda um quarto ponto. Ao transformar Cuba em parceira importante, o Brasil amplia sua área de influência nas Américas em um ponto no qual os Estados Unidos não têm entrada. A administração Barack Obama é favorável ao fim do embargo, como deixou claro o presidente dos EUA em novembro passado, quando pediu uma “atualização” no relacionamento com Cuba. Ocorre que a Casa Branca não tem como derrubar o embargo atualmente diante da intensa pressão exercida no Congresso pela bancada latina, em sua maioria linha-dura. No vácuo dos EUA, cresce a influência brasileira.
Grande parte das críticas ao relacionamento entre Brasília e Cuba ataca o governo brasileiro por se relacionar com uma ditadura que não respeita direitos humanos. Tal crítica tem menos análise de política externa do que ranço ideológico, como prova o silêncio quando em destaque estão as relações comerciais do Brasil com a China, por exemplo. Não há, infelizmente, notícia de um Estado que paute suas relações exteriores pela questão de direitos humanos. Se a regra fosse essa, possivelmente o mundo não seria a lástima que é.
Soma-se a isso o fato de que manter boas relações com Cuba é uma prática do Estado brasileiro, não do governo atual. As relações Brasília-Havana foram reatadas em 1985 e têm melhorado desde então. Em 1992, no governo Fernando Collor, houve uma tentativa de trocar votos em eleições para postos em organizações internacionais. A prática, como a Folha de S.Paulo mostrou em 2011, continuou no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), sob o qual o Brasil também fechou parcerias e intercâmbios com Cuba.
                                                        Hugo Chávez, FHC e Fidel Castro
De fato, em 1998 o então chanceler de FHC, Luiz Felipe Lampreia, se encontrou com um importante dissidente cubano, Elizardo Sánchez, algo que o governo brasileiro parece muito distante de fazer. Pode-se, e deve-se, criticar o fato de o Planalto sob o PT não condenar publicamente as violações de direitos humanos da ditadura castrista, mas não se pode condenar o investimento no porto de Mariel. Neste caso, prevaleceu o interesse nacional brasileiro.
Fonte: http://www.cartacapital.com.br/internacional/por-que-o-brasil-esta-certo-ao-investir-em-cuba-1890.html

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Brasil vendeu 104 smartphones por minuto em 2014, aponta pesquisa

E a crise???


No Brasil foram vendidos 104 smartphones por minuto em 2014, de acordo com levantamento da IDC Brasil. No ano passado foram comercializados 54,5 milhões de aparelhos, 55% a mais que em 2013. A projeção para 2015 é de alta de 16% nas vendas, apesar do dólar alto e da conjuntura econômica.

A pesquisa mostra ainda que 15% dos aparelhos vendidos em 2014 têm acesso a 4G, número que em 2015 deve subir para 30% a 35%. Os aparelhos intermediários e os dual-sim deverão ser os destaques dentre os dispositivos 4G, prevê o instituto de pesquisas e consultoria.

Por outro lado, as vendas de tablets, PCs e impressoras recuaram. O analista da IDC Leonardo Munin pondera que o brasileiro é muito sensível a preço, "mas em smartphones tem avaliado melhor a questão do custo-benefício. E como tem a facilidade de crédito e parcelamento oferecida pelo varejo, em vez de comprar um celular de entrada tem optado cada vez mais por um intermediário, contribuindo não só para o aumento das vendas mas também para o aumento do tíquete médio", diz, por meio de nota.

As vendas no último trimestre foram recorde, conforme o estudo IDC Mobile Phone Tracker Q4, com 16,2 milhões de celulares inteligentes vendidos, 43% acima do 4º trimestre de 2013 e 14% na comparação com o 3º trimestre de 2014, puxado pelo evento Black Friday. Na comparação com 2013, as vendas na data aumentaram em mais de 600%, calcula o IDC.

O mercado de smartphones é concentrado, destaca o analista, com 95% das vendas em torno de seis grandes marcas, algo que, segundo ele, não acontece em outros países emergentes.

Fonte: http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/553148/Brasil-vendeu-104-smartphones-por-minuto-em-2014,-aponta-pesquisa