domingo, 8 de setembro de 2013

Cairo, Damasco e a hipocrisia norte-americana

Mauro Santayana: Já vimos esse filme da Síria no Iraque

John Kerry anunciou que os EUA têm “provas irrefutáveis” do uso de armas químicas pelo governo sírio

John Kerry anunciou esta semana, na Casa Branca, que os Estados Unidos têm “provas irrefutáveis” do uso de armas químicas pelo governo sírio. Traços de gás sarin teriam sido encontrados no sangue e nos cabelos de voluntários que participaram do resgate de civis atingidos logo após um suposto ataque do governo contra rebeldes no dia 21 de um agosto.
Já vimos esse filme. O uso de armas de destruição em massa pelo governo de Saddam Hussein também foi apresentado de forma inconteste e irrefutável pelo governo norte-americano.

Em nome dessa “certeza”, o Iraque foi bombardeado e invadido, suas defesas foram destruídas por corajosos jogadores de vídeo-game instalados a bordo de aviões e porta-aviões, sem um único combate corpo a corpo, e morreram milhares de crianças e civis iraquianos.
E até hoje nem uma única arma de destruição em massa foi encontrada – apesar de milhares de soldados norte-americanos terem também sido mortos ou feridos, tentando ocupar o território virtualmente “conquistado”, de onde os EUA já se retiraram, depois de centenas de bilhões de dólares em gastos.
Na época, o inspetor da ONU Hans Blix – que deu uma entrevista esta semana ao jornal britânico The Guardian dizendo que não há justificativa para um ataque ocidental à Síria – negou que houvesse armas de destruição em massa no Iraque e teve sua missão em Bagdá interrompida pelos bombardeios norte-americanos.

Os EUA costumam usar, sem nenhum escrúpulo, seus eventuais aliados, e depois livrar-se deles sem nenhuma consideração moral ou ética.
Foi assim, quando se aliaram a Saddam armando-o na guerra contra o Irã, para depois destruir o seu regime sob um pretexto falso, e persegui-lo até a execução de sua sentença de morte por enforcamento, no dia 30 de dezembro de 2006 em Bagdá.
Foi assim que fizeram com Osama Bin-Laden – com cuja família os Bush tinham negócios – depois de apoiá-lo na guerrilha contra os russos no Afeganistão, até cercá-lo e abatê-lo desarmado, na frente de sua família, no dia 2 de maio de 2011, em Abbotabad, no Paquistão.
E foi assim que aconteceu também com Muamar Kadhaffi, capturado de mãos nuas e espancado brutalmente até a morte, em 20 de outubro do mesmo ano, em Sirte, na Líbia, a ponto de ter seu corpo transformado em um hambúrguer diante das câmeras de seus verdugos, armados pelos mesmos países ocidentais que antes o recebiam e apoiavam.

Agora, a história se repete. Os EUA e as grandes redes de meios de comunicação do ocidente procuram desqualificar a denúncia da inspetora da ONU Carla Del Ponte, de que teria levantado evidências, na Síria, de que gás sarin estaria, na verdade, sendo usado pelos “rebeldes”, apoiados pelo Ocidente, com a intenção de culpar o governo de Bashar Al Assad pelo seu uso.
Ao invadir outros países sem provas e sem autorização das Nações Unidas, os Estados Unidos agem como os nazistas, que deram início à Segunda Guerra Mundial com uma farsa que completou há três dias exatos 74 anos.

No dia 31 de agosto de 1939 a SS nazista simulou a invasão de uma rádio de língua alemã, na cidadezinha fronteiriça de Gleiwitz, por tropas do exército polonês, para divulgar uma falsa mensagem conclamando a população da Silésia a se revoltar contra Hitler.
Para dar o máximo de verossimilhança aos fatos, os oficiais de Himmler, disfarçados de soldados poloneses, levaram com eles, também vestidos com os mesmos uniformes, 12 prisioneiros de campos de extermínio, que foram abatidos no local, ao final da operação, para que seus cadáveres servissem de prova da suposta ”invasão” polonesa. No dia seguinte, 1 de setembro de 1939, as tropas de Hitler, já agrupadas na fronteira, invadiriam a Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial.
Ressabiado, talvez, pela participação – sem provas que a justificassem – da Grã Bretanha na Guerra do Iraque, o Parlamento inglês negou na última semana ao Primeiro-Ministro James Cameron autorização para participar do ataque à Síria.

O mundo espera que o Congresso dos EUA, obedecendo à opinião da maioria da população norte-americana, tome atitude semelhante. E que Obama recue, como pode acabar fazendo, de seu plano contra a Síria, estabelecido, como afirmou John Kerry, em sua entrevista na Casa Branca, para “mandar uma firme mensagem” a outros países, como a Coréia do Norte e o Irã.
Não se pode aceitar que a mesma nação que apóia e financia, com bilhões de dólares, o exército golpista egípcio – para que seus soldados massacrem a população civil nas ruas do Cairo – ataque ou bombardeie Damasco, sob pretexto de defender a liberdade.


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Hora cívica 2013


No dia 4/9, o Colégio Marista Pio XII realizou a sua hora cívica. Foi proposto aos estudantes um momento de reflexão sobre alguns fatos ocorridos no Brasil, no corrente ano, principalmente com relação aos protestos de junho e julho. Foi mostrado um vídeo com o clipe da música "Perfeição" do Legião Urbana. Por fim os estudantes leram um poema sobre patriotismo.

Segue abaixo o link com do vídeo da música "Perfeição".



          
Poema do alemão Rudolf Scharping, entitulado “Pátria”,
  
PÁTRIA:

Família e amigos.
Paisagens.
Passado e futuro.
Amor.
Melancolia.
Alegria e dissabor.
Viver juntos.
Esperanças.
Trabalho.
Cultura.
Paz.

PÁTRIA:

Lá onde vivo.
Lá onde me imagino diferente,
Onde nós ainda podemos modificar alguma coisa.
Pátria. Uma permanência.
Mas eu também posso ficar?
Não, quando eu perco meu emprego.
Não, se eu não tenho mais ar para respirar,
Quando a água não é mais potável,
O pão não é mais comestível.
Não, quando o depósito de gás venenoso
Se abre diante dos meus olhos
E os silos de foguetes se abrem sob meus pés.
Pátria, aqui ainda há muito a ser feito
Para que a Terra se torne a Pátria de todo mundo.


Greve do magistério gaúcho

Termina sem acordo reunião entre governo do RS e Cpers

Professores da rede estadual estão em greve desde a semana passada

Greve da educação: caminhada e ato público reúnem mais de três mil em Porto Alegre

Depois de quase três horas de reunião entre professores e representantes do governo do Estado, na sede da Fundação de Desenvolvimento de Recursos Humanos (FDRH) na manhã desta sexta-feira, a direção do Cpers/Sindicato anunciou que pretende radicalizar a mobilização com relação as negociações salariais com o governo do Estado. Os professores da rede estadual de ensino estão em greve desde a semana passada.

No final do encontro, a presidente do sindicato, Rejane de Oliveira, disse que a paralisação vai continuar e pode ainda ser radicalizada. “Vamos definir uma agenda de ações, porque o governo Tarso não nos deu outra opção a não ser manter a greve. O governo mostrou que não quer negociar”, destacou.

A sindicalista explicou que a categoria solicitou ao governo estadual que criasse um calendário para o pagamento do piso nacional, que hoje é de R$ 1.567 e que suspendesse o projeto de reforma do Ensino Médio, o que na opinião da presidente do sindicato, compromete o futuro dos alunos. “Pedimos um reajuste dos valores do vale-refeição do magistério. O secretário respondeu que não pode pagar o piso nacional e que não vai suspender o projeto de reforma do Ensino Médio”, acrescentou.

O secretário estadual da Educação, Jose Clovis de Azevedo, afirmou que 13 dos 27 pontos que compõem a pauta de reivindicações da categoria foram atendidas pelo governo gaúcho. “Não vamos suspender o projeto que prevê a reformulação do Ensino Médio porque seria um desrespeito com a comunidade escolar”, ressaltou. 

Segundo ele, o pagamento do piso nacional teria um impacto de R$ 3 bilhões no orçamento estadual. Sobre o reajuste do vale-alimentação, Azevedo afirmou que a revisão do valor não depende da secretaria, mas do Comitê de Diálogo Permanente (Codipe) vinculado à Secretaria da Administração e dos Recursos Humanos. 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Greve do magistério

Educadores e estudantes de Gravataí e região realizam manifestação

Av. Dorival de Oliveira tomada pelos manifestantes no dia 03/09/13


Mesmo sob ameaça de chuva, educadores e estudantes de Gravataí e região realizaram uma manifestação na manhã de terça-feira, 3. Organizada pelo 22º Núcleo do CPERS/Sindicato, a atividade foi marcada por uma caminhada pelas principais ruas do centro da cidade, como a José Loureiro da Silva.

Antes de chegar à 28ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), os manifestantes fizeram um breve ato público em frente à Prefeitura, cobrando a implementação, na cidade, do passe livre para estudantes e desempregados. Em seguida, aconteceu o deslocamento até a CRE, que, simbolicamente, foi ocupada.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Guerra à vista

Obama defende operação na Síria, mas descarta ação terrestre

Presidente dos EUA falou aos líderes do Congresso norte-americano



O presidente americano Barack Obama votlou a defender nesta terça-feira junto aos líderes do Congresso americano reunidos na Casa Branca uma operação na Síria. Ele enfatizou que a ação americana seria "limitada" e "proporcional". "Não envolveria tropas no terreno, não é Iraque, não é o Afeganistão", ressaltou. 

Obama afirmou que gostaria ver a ajuda americana à oposição síria aumentar, mas não entrou em detalhes sobre o assunto. Segundo ele, o presidente sírio Bashar al-Assad deve "prestar contas", após ter lançado um ataque com armas químicas perto de Damasco em 21 de agosto. 

Ele reiterou aos líderes dos partidos Democrata e Republicano que Assad violou as normas internacionais fundamentais ao utilizar armas químicas. "Isso representa um sério risco para a segurança nacional dos Estados Unidos e para os outros países da região", declarou. "Em consequência disso, Assad e a Síria devem prestar contas", insistiu.

O democrata, que pediu a autorização do Congresso para realizar ataques militares contra o regime sírio, também declarou estar confiante no apoio dos parlamentares a ação americana. 

Apoio

O presidente republicano da Câmara dos Representantes, John Boehner, declarou apoio a proposta. "Apoiarei o pedido do presidente em favor de uma ação, como resposta ao uso de armas químicas por parte do regime de Bashar al-Assad em um ataque no dia 21 de agosto no subúrbio de Damasco", informou Boehner após a reunião.

O apoio de Boehner deve dinamizar a campanha iniciada pela Casa Branca para obter outras aprovações e conseguir que o Congresso norte-americano avalie a proposta militar de Obama contra Assad. "Nossos inimigos no mundo devem entender que não vamos tolerar este tipo de comportamento. Também temos aliados no mundo e na região que devem saber que os Estados Unidos estarão presentes quando for necessário", anunciou o republicano.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

ENEM 2013

Saiba como como interpretar imagens no Enem

Confira algumas dicas para buscar as respostas corretas em questões baseadas em fotos, pinturas, charges, peças publicitárias e tiras

Capa de gibi do Capitão América caiu no ENEM 2012

Desconsiderando gráficos, vetores, estruturas químicas, figuras geométricas e outros recursos visuais comuns também em vestibulares tradicionais, cerca de 20% das questões da edição do ano passado tinham fotos, charges, tiras, pinturas ou peças publicitárias. Em boa parte dessas perguntas, a figura era mais do que um elemento gráfico, tornando-se uma peça-chave para a resposta certa.
Imagens também são textos, pois dizem alguma coisa. Portanto, a compreensão das figuras também parte de alguns princípios usados na leitura de palavras.
— Na leitura de um texto escrito, é preciso prestar atenção ao conjunto, saber quem é o autor, a data da publicação e o período em que foi feito. Para ler uma figura, também devemos considerar o todo, se é colorida ou em preto e branco, o tipo de traço, se é simples ou mais rebuscada — explica a professora de redação do Grupo Unificado Luísa Canella.
Confira algumas dicas para não se atrapalhar na hora de ler as figuras do Enem.
Fotos
> Fotografias registram um momento. Podem ser de um fato que estava acontecendo ou mesmo apresentar os personagens de forma posada.
> Se a imagem traz pessoas, busque pistas nas expressões dos rostos para ter informações sobre seu estado de espírito. Confira também as roupas, para ter uma ideia da época e de quem são as pessoas — alguns profissionais usam uniformes ou vestimentas características.
> Frequentemente, as fotos trazem dizeres, seja em cartazes ou placas — não os ignore. Em fotos de lugares, busque pistas na paisagem. Às vezes, é possível identificar períodos históricos ou épocas do ano.
Pinturas
> Os períodos artísticos têm grande vínculo com fatores históricos e sociais da época em que se consolidam. Por isso, para interpretar uma pintura, é importante situá-la no tempo e no espaço, sugere a professora de desenho Luiza Abrantes:
— O estudante precisa saber de quando é a obra e ter noção de quem é o autor para, então, ver onde ela está inserida. Uma obra dos anos 1920 é uma coisa. Uma dos anos 1960 é outra.
> Ao identificar a época, o estudante deve buscar referências do período. No início do século 20, por exemplo, surgiram as vanguardas europeias, influenciadas pela máquina e pela guerra.
Charges
> Charges costumam estar relacionadas a acontecimentos do cotidiano contemporâneo. Em geral, trazem algum tipo de crítica social, em tom humorístico.
> O estudante que não está bem informado sobre fatos recentes corre o risco de não entender uma charge por desconhecer o tema central dela.
Peças publicitárias
> Propagandas são criadas com um objetivo claro: vender um produto ou uma ideia para alguém. Procure identificar o que está sendo vendido e qual é o público-alvo da peça publicitária.
— É necessário ter em mente que o objetivo de uma propaganda é convencer. A publicidade sempre serve para abordar funções da linguagens em uma prova — diz Luísa Canella.
Tiras
> Também com forte foco no humor, as tiras trazem mais elementos por apresentarem uma transição de ações, já que estão organizadas em alguns quadrinhos. Podem ser menos vinculadas a fatos recentes e costumam abordar assuntos mais atemporais.
— Conhecer um pouco a obra de um autor ajuda na compreensão, porque o estudante fica familiarizado com o estilo. Quino (criador da personagem Mafalda), por exemplo, tem temáticas recorrentes — sugere o professor de espanhol Carlos Castillo, do Unificado.
> Além do desenho, é fundamental o candidato ficar atento aos diálogos:
— É importante lembrar que os elementos gráficos raramente mostram a resposta isoladamente, mas, sim, em conjunção com o que está escrito — lembra o professor de inglês Fábio Vasques, do Unificado.

Curso de medicina no Brasil: apenas 2,6% dos formandos são negros

Negros são minoria significativa entre os formados no ensino superior no Brasil, e no curso de medicina a diferença é ainda maior. Confira a relação

Apesar de formarem 50,7% da população brasileira, os autodeclarados negros ainda são minoria entre os formados no ensino superior. Na carreira de medicina, apenas 2,66% dos concluintes em 2010 eram pardos ou pretos. O estudo foi feito pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais).
médicos negros universidade
Fonte: Dados do Enade (Inep)
Dos universitários que fizeram Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) em 2010, apenas 6,13% se declaravam pretos ou pardos. Em 2009, o índice foi ainda menor: 5,41%.
Em 2010, somente 16.418 estudantes concluintes que prestaram o Enade se declararam negros, de um total de 267.823 universitários. No ano de 2009, foram 35.958 alunos concluintes negros entre 663.943 estudantes que prestaram o exame.
“Ainda temos o negro vítima de situações sociais que são resultado de um histórico da escravatura. Dos excluídos nossos, os negros são aqueles que precisam de maior amparo da sociedade”, afirma Luiz Cláudio Costa, presidente do Inep.
A pequena presença de estudantes negros no ensino superior é o resultado de diferentes gargalos, que vão da exclusão material, passam pela baixa qualidade do ensino público e chegam à autoexclusão.
“O percentual de estudantes negros que terminam o ensino médio é muito aquém do índice de brancos. A exclusão vem muito antes do ensino superior”, comenta o antropólogo Jocélio Teles, professor da UFBA (Universidade Federal da Bahia).
Para ele, não pode ser também descartado o processo de introjeção da exclusão que leva o aluno a não ver a universidade como uma trilha possível para ele. “Chega ao ponto de possíveis estudantes nem se inscreverem no vestibular”, pontua.
Segundo Teles, um estudo feito nos anos 2000 mostrava que a maioria dos estudantes de cursos prestigiados, como medicina ou odontologia, em universidades públicas tinham pais com ensino superior incompleto ou completo.
Fonte: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/08/curso-medicina-brasil-so-26-formandos-sao-negros.html