quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Terremoto deixa um morto e 324 feridos em Yunnan, na China

Terremoto deixa um morto e 324 feridos em Yunnan, na China

92.700 foram afetados, dos quais 56 mil foram realojados.
Governo local disponibilizou militares para buscas e auxílio às vítimas.


Pelo menos uma pessoa morreu e 324 ficaram feridas devido a um terremoto de magnitude 6,6 que atingiu a província de Yunnan, na china, nesta quarta-feira (8), segundo o governo local, informa a agência "Xinhua".
Ao todo, 92.700 pessoas do condado de Junggu foram afetadas, das quais 56.880 precisaram ser realojadas.
A agência de terremotos de Yunnan informou inicialmente da existência de 5 mortos, mas o Ministério de Assuntos Civis chinês afirmou depois que a informação estava incorreta.
As autoridades disponibilizaram unidades militares para ajudar na busca e no auxílio de vítimas, assim como para ajudar na remoção de escombros e reparação de danos.
A zona afetada, no sudoeste da China, sofreu outro forte tremor de terra, de magnitude 6,5, no dia 3 de agosto, que causou mais de 600 mortos e deixou milhares de feridos.
Fonte: http://portuguese.cri.cn/1721/2014/10/08/1s190204.htm

terça-feira, 7 de outubro de 2014

A direita olha em quem vota?

A direita olha em quem vota? 
Por Milton Ribeiro
Flagrante da revoada de votos chegando a Caxias
Acho engraçado quando me chamam de petista. Sou filiado a um partido, mas ele tem mais letras. Então, sinto-me muito tranquilo para comentar que o súbito aparecimento de José Ivo Sartori na primeira colocação das eleições estaduais revela uma curiosa característica do anti-petismo do RS e no Brasil. O direitoso parece pensar mais ou menos assim: “Não interessa em quem eu voto, interessa apenas contra quem voto”. E atualmente o diabo é o PT. Não é surpresa que alguns candidatos apregoassem “Eu posso derrotar o PT”. Afinal, este é seu real objetivo, não o de nos governar ou legislar de forma a tornar melhores nossas vidas. Após as denúncias sobre as terras e o CC de Ana Amélia, os votos da direita voaram para a serra, onde estava o candidato mais próximo e não “de esquerda” nas pesquisas. Se as pesquisas dizem alguma coisa da realidade, a migração de votos deve ter tapado o sol em Caxias do Sul neste fim-de-semana.
Algo semelhante ocorreu após a derrocada de Marina. Seus votos sumiram e foram parar em Aécio.
Sartori, seu sorriso e sua polenta não parecem muito com Ana Amélia. Sartori parece mais com Germano Rigotto. Com ar de tiozão paz e amor, tem a pretensão de agradar a gregos e troianos, ou aos petistas e progressistas que amanheceram deprimidos hoje, após serem torpedeados por bem-endereçados peitos e coxas vindos das galeterias da serra. Leiam o que ele disse: “Não quero ser visto como inimigo dos eleitores de Tarso, mas também quero ser reconhecido pelos eleitores da Ana Amélia. Fizemos uma campanha limpa e propositiva. E não vamos entrar nessa de agredir esse ou aquele, agradar um ou outro. Vamos fazer uma campanha limpa. Os eleitores de Tarso não serão nossos inimigos”, repetiu.
O discurso de Sartori é esperto e demonstra bem o que é seu partido, o PMDB. O PMDB é um partido alongado e eclético, tolerante e atlético, que adere e corre ao lado de qualquer um, sempre com um sorriso nos lábios. É sem dúvida um terrível adversário para Tarso Genro, pois se metade dos eleitores de Ana Amélia aderirem a ele, o Sartori leva o estado. Na boa, tenho medo. Sempre espero o pior desses caras desconhecidos da direita e raramente me decepciono.
Fonte: http://miltonribeiro.sul21.com.br/2014/10/06/a-direita-olha-em-quem-vota/

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Laboratórios GSK e NewLink aceleram produção de vacina para Ebola


GENEBRA - A empresas GlaxoSmithKline (GSK.L) e NewLink Genetics (NLNK.O) estão se empenhando para acelerar a produção de vacinas contra o Ebola, e têm como meta um “aumento muito significativo na escala durante a primeira metade de 2015”, informou a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quarta-feira.
Mesmo nas melhores condições, se as vacinas experimentais se mostrarem seguras e oferecerem proteção nos testes clínicos, um número considerável de doses só estará disponível após o final do primeiro trimestre do ano que vem, disse a entidade.
A GSK e a NewLink iniciaram a primeira fase dos testes com voluntários saudáveis ou o farão em breve em mais de 10 localidades da África, da Europa e da América do Norte, afirmou a OMS em um comunicado, após realizar uma reunião de dois dias com 70 especialistas.
Os dados de segurança iniciais são esperados até o  final do ano, e a segunda fase dos testes acontecerá no começo do ano que vem para gerar mais dados.
“As duas empresas estão trabalhando para aumentar sua capacidade de produção. O objetivo é um aumento muito significativo na escala durante a primeira metade de 2015”, disse a OMS.
“O próximo passo é tornar estas vacinas disponíveis assim que possível –e em quantidades suficientes– para proteger assistentes em frentes de atuação críticas e para fazer a diferença na evolução futura da epidemia”, informou a agência.
Fonte: http://www.msn.com/pt-br/noticias/mundo/laborat%C3%B3rios-gsk-e-newlink-aceleram-produ%C3%A7%C3%A3o-de-vacina-para-ebola/ar-BB6QWYK
Pitaco do blogueiro: Agora que chegou nos EUA eles aceleram a produção da vacina...

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Embargo americano a Cuba pode estar perto do fim

Geografia Política e politizada



Em seu livro intitulado Decisões difíceis, Hillary Clinton escreveu, sobre Cuba: “ao terminar meu mandato, pedi ao presidente Obama que reconsiderasse nosso embargo contra Cuba. Não cumpre nenhuma função e obstrui nossos projetos com toda America Latina”. Foi a primeira vez que uma postulante à presidência dos Estados Unidos se manifestou publicamente contra o bloqueio. Hillary tem grandes chances de ser a candidata democrata nas próximas eleições presidenciais dos Estados Unidos. Ao afirmar sua posição sobre Cuba ele demonstra disposição para rebater as críticas dos republicanos e percepção da opinião pública norte-americana, cada vez menos favorável aos embargos.

Hillary Clinton reconhece que a política norte-americana é erro histórico. População concorda, mostram pesquisas. Agora, só direita e Obama parecem sustentar embargo 
No livro que se acaba de publicar sobre suas experiências como secretária de Estado, durante o primeiro mandato (2008-2012) do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, intitulado Decisões difíceis (1), Hillary Clinton escreve, a propósito de Cuba, algo fundamental: “ao terminar meu mandato, pedi ao presidente Obama que reconsiderasse nosso embargo contra Cuba. Não cumpre nenhuma função e obstrui nossos projetos com toda America Latina”.
Pela primeira vez, uma personalidade que aspira à presidência dos Estados Unidos afirma publicamente que o bloqueio imposto por Washington – desde mais de cinquenta anos! – à maior ilha do Caribe não cumpre “nenhuma função”. Isto é, não se tem permitido submeter esse pequeno país apesar do grande sofrimento injusto que se tem causado a sua população. Nesse sentido, o fundamental, na constatação de Hillary Clinton, são dois aspectos:
Primeiro, rompe o tabu, dizendo em voz alta o que desde muito tempo todos já sabem em Washington: que o bloqueio não serve para nada. E segundo, de maior importância, é declarar isto no momento em que arranca na corrida à candidatura do Partido Democrata à Casa Branca. Isto quer dizer, não teme que essa afirmação – na contracorrente de toda a política de Washington diante de Cuba no ultimo meio século – constitua, para ela, um obstáculo, na larga batalha eleitoral que tem daqui até as eleições de 8 de novembro de 2016.
Se Hillary Clinton sustenta uma postura tão pouco convencional, em primeiro lugar, é porque assume o desafio de responder sem temor as duras criticas que não deixaram de formular seus adversários republicanos, ferozmente hostis a toda mudança de Washington com respeito a Cuba. E, em segundo lugar, porque não ignora que a opinião publica estadunidense tem evoluído sobre esse tema, sendo hoje majoritariamente favorável ao fim do bloqueio.
Do mesmo modo que Hillary Clinton, um grupo de cinquenta importantes empresários (2), ex-altos funcionários estadunidenses de distintas tendências políticas e intelectuais, acaba de pedir a Obama, em carta aberta (3), que utilize as prerrogativas do Poder Executivo para introduzir mudanças mais inteligentes com relação a Cuba e se aproxime mais de Havana. Seria uma forma de minimizar o impasse, sabendo que o presidente dos Estados Unidos não possui a faculdade de acabar com o embargo — o que depende de uma maioria qualificada de democratas e republicanos no Congresso. Assinalam que a sociedade apoiaria este primeiro passo.
Com efeito, uma pesquisa realizada em fevereiro desse ano pelo centro de investigação Atlantic Council afirma que 56% dos estadunidenses querem uma mudança na política de Washington com Havana. E, mais significativo, na Florida, o Estado com maior sensibilidade neste tema, 63% dos cidadãos (e 62% dos latinos) desejam o fim do bloqueio (4). Outra consulta mais recente, realizada pelo Instituto de Investigação Cubano da Universidade Internacional da Florida, demonstra que a maioria da própria comunidade cubana de Miami (5) pede pelo fim do bloqueio à ilha (71% dos consultados considera que o embargo “não tem funcionado”, e uns 81% votaria por um candidato que substituísse o bloqueio por uma estratégia que promovesse o reestabelecimento diplomático entre ambos os países) (6).
Ocorre que, contrariamente às esperanças que surgiram depois da eleição de Barack Obama em novembro de 2008, Washington manteve-se estacionado em suas relações com Cuba. Justamente depois de assumir seu cargo de presidente, Obama anunciou – na Cúpula das Américas, celebrada em Trindad e Tobago, abril de 2009 – que daria um novo rumo nas relações com Havana.
Todavia, limitou-se a gestos pouco mais que simbólicos: autorizou que os estadunidenses de origem cubana viajassem à ilha e enviassem quantidades restritas de dinheiro a suas famílias. Depois, em 2011, adotou novas medidas, mas também de pequeno alcance: permitiu que grupos religiosos e estudantes viajassem a Cuba, consentiu que aeroportos estadunidenses recebessem voos da ilha e ampliou o limite de remessas que os cubanos-estadunidenses poderiam transferir a seus parentes. Pouca coisa, diante do formidável bloqueio que separa os dois países.
Entre as divergências, está o caso dos Cinco Cubanos (7), que tem comovido a opinião publica internacional (8). Estes agentes da inteligência de Havana, detidos na Florida pelo FBI em setembro de 1998 quando realizavam missões de prevenção contra o terrorismo anticubano, foram condenados a altas penas de prisão, num julgamento político típico da Guerra Fria (autêntico linchamento jurídico).
Condenação ainda mais injusta porque “Os Cinco” não cometeram nenhum ato de violência, nem procuraram informação sobre a segurança dos Estados Unidos. O único que fizeram, correndo riscos mortais, foi prevenir atentados e salvar vidas humanas. Washington não é coerente quando diz combater o “terrorismo internacional” e segue abrigando, em seu próprio território, grupos terroristas anticubanos (9). Sem ir mais longe, em abril passado, as autoridades da ilha detiveram um novo grupo de quatro indivíduos, vinculados a Luis Posada Carriles (10), vindo mais uma vez da Florida com a intenção de cometer atentados.
Tampouco há coerência quando acusam “Os Cinco” de atividades antiestadunidenses que jamais existiram, enquanto Washington segue empenhado em imiscuir-se nos assuntos internos de Cuba e na fomentação de mudanças do sistema político.
Há meses, voltaram a demonstrar tais intenções, nas recentes revelações sobre o assunto “ZunZuneo” (11), uma falsa rede social que uma agência do Departamento de Estado (12), criou e financiou ocultamente entre 2010 e 2012 com a intenção de provocar na ilha protestos semelhantes ao das “Revoluções Coloridas” do ex-mundo soviético, da Primavera Árabe ou das “Guarimbas” venezuelanas, para exigir depois, a partir da Casa Branca ou do Capitólio, uma mudança política. Tudo isso demonstra que Washington segue tendo sobre Cuba uma atitude retrógrada, tipicamente da Guerra Fria, etapa que terminou a quase um quarto de século.
Semelhante arcaísmo choca com a postura de outras potências. Por exemplo, todos os Estados da América Latina e do Caribe, quaisquer que sejam suas orientações políticas, têm estreitado ultimamente seus laços com Cuba, denunciando o bloqueio.
Pode-se comprovar isto no inicio do ano, na Cúpula da Comunidade dos Estados Latino Americanos e do Caribe (CELAC) reunida precisamente em Havana. Washington sofreu um novo desprezo no há pouco, em Cochabamba (Bolivia), durante a Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), quando os países latino-americanos – numa nova mostra de solidariedade com Havana – não participar da próxima Cúpula das Américas, que terá lugar em 2015 no Panamá, se Cuba não for convidada a participar.
Por sua parte, a União Europeia (UE) decidiu, em fevereiro, abandonar a chamada “posição comum” com relação à ilha, imposta em 1996 por José Maria Aznar, então presidente do Governo da Espanha, para “castigar” Cuba rechaçando todo dialogo com as autoridades da ilha. Porém, o gesto resultou estéril e fracassado.
Bruxelas tem reconhecido e dado inicio agora a uma negociação com Havana para alcançar um acordo de cooperação política e econômica. A UE é o primeiro investidor estrangeiro em Cuba e seu segundo sócio comercial. Com este novo espírito, vários ministros europeus já visitaram a ilha. Entre estes, em abril, Laurent Fabius, – primeiro chanceler francês que realizou uma visita a nação caribenha em mais de trinta anos – declarou que buscava promover as alianças entre as empresas dos dois países, bem como apoiar as companhias francesas que desejassem desenvolver projetos ou se fixar em Cuba (13).
Contrastando com o imobilismo de Washington, muitas chancelarias europeias observam com interesse as mudanças que estão se produzindo em Cuba, impulsionadas sobretudo pelo presidente Raúl Castro, no marco da atualização do modelo econômico e na linha definida em 2011 no VI Congresso do Partido Comunista de Cuba (PCC). Representam transformações muito importantes na economia e na sociedade. Em particular, a recente criação da Zona Especial de Desenvolvimento em torno do porto de Mariel — assim como a aprovação, em março, de uma nova Lei de Investimento Estrangeiro — suscitam um grande interesse internacional.
As autoridades consideram que não existe contradição entre o socialismo e a iniciativa privada (14). E alguns responsáveis estimam que esta última (que incluiria as inversões estrangeiras) poderia abarcar até 40% da economia do país, enquanto o Estado e o setor público conservariam 60%. O objetivo é que a economia cubana seja cada vez mais compatível com a de seus principais sócios na região (Venezuela, Brasil, Argentina, Equador, Bolívia), onde coexistem setor publico e setor privado, Estado e mercado.
Todas estas transformações sublinham, por contraste, o impedimento do governo estadounidense, autobloqueado em uma posição ideológica de outra época. Inclusive, como temos visto, cada dia são mais numerosos aqueles que, em Washington, admitem que essa postura seja equivocada e que, em relação a Cuba, os EUA têm urgência em sair do isolamento internacional. O presidente Obama saberá escutá-los?
Fonte: http://jornalggn.com.br/noticia/embargo-americano-a-cuba-pode-estar-perto-do-fim#.VCdHKZK2xrI.twitter

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Cuba dá o exemplo na luta contra o vírus ebola na África



Segundo as Nações Unidas, a epidemia do ebola de tipo Zaire, febre hemorrágica que atinge atualmente uma parte do oeste da África, particularmente a Serra Leoa, a Guiné e a Libéria, constitui a mais grave crise de saúde dos últimos tempos. No espaço de algumas semanas, o vírus se propagou em uma grande velocidade e a epidemia parece fora de controle. Trata-se da crise de ebola “maior, mais severa e mais complexa” observada desde o descobrimento da enfermidade em 1976. Altamente contagioso, o vírus é transmitido mediante o contato direto com o sangue e os fluídos corporais. Observou-se cerca de 5 mil casos e mais de 2400 pessoas perderam a vida. A Organização Mundial da Saúde fez um chamado urgente pedindo à comunidade internacional ajuda para as populações africanas abandonadas à própria sorte.
Cuba respondeu imediatamente à petição das Nações Unidas e da Organização Mundial da Saúde. Havana anunciou que mandaria, a partir de outubro, 165 profissionais da saúde para Serra Leoa, o país mais afetado pela epidemia, junto com a Guiné e a Libéria. A missão durará pelo menos seis meses e será composta por profissionais especialistas que já realizaram missões humanitárias na África.
Margaret Chan, diretora da Organização Mundial da Saúde, saudou o gesto de Cuba: “O que mais necessitamos são pessoas, profissionais de saúde. O mais importante para evitar a transmissão do ebola é ter as pessoas adequadas, os especialistas adequados e treinados apropriadamente para enfrentar esse tipo de crise humanitária”. O OMS lembra que “Cuba é famosa em todo o mundo por sua capacidade de formar excelentes médicos e enfermeiros. É famosa, além disso, por sua generosidade e solidariedade aos países no caminho para o progresso”.
Chan pediu que o resto do mundo, particularmente os países desenvolvidos, sigam o exemplo de Cuba e expressem a mesma solidariedade à África: “Cuba é um exemplo [...]. Tem tido a maior oferta de médicos, enfermeiros e especialistas, assim como de especialistas em controle de doenças infecciosas e epidemiologistas [...]. Espero que o anúncio feito hoje pelo governo cubano estimule outros países a anunciar seu apoio”. Em um comunicado, Ban Ki Moon, secretário-geral das Nações Unidas, também felicitou Cuba por sua ação : O secretário-geral recebeu calorosamente o anúncio do governo de Cuba.
A Science, a mais importante revista médica do mundo, também destacou o exemplo de Cuba. “Trata-se da maior contribuição médica enviada até o momento para controlar a epidemia. Terá um impacto significativo em Serra Leoa”. Até o anúncio cubano, a presença médica internacional no oeste da África somava 170 profissionais segundo a OMS. Agora, Cuba dará uma ajuda equivalente a todas as nações do mundo juntas.
Roberto Morales Ojeda, ministro cubano da Saúde, explicou as razões que motivaram a decisão do governo de Havana:
“O governo cubano, como tem feito sempre nesses 55 anos de Revolução, decidiu participar desse esforço global sob a coordenação da OMS para enfrentar essa situação dramática.
Desde o primeiro momento, Cuba decidiu manter nossas brigadas médicas na África, independentemente da existência da epidemia de ebola, em particular em Serra Leoa e na Guiné-Conakry, com a prévia disposição voluntária de seus integrantes, expressão do espírito de solidariedade e humanismo característico de nosso povo e governo”.
Cuba sempre fez da solidariedade internacional um pilar fundamental de sua política exterior. Assim, em 1960, inclusive antes do desenvolvimento de seu serviço médico e quando tinha acabado de perder 3 mil médicos dos 6 mil presentes na ilha (que escolheram emigrar para os Estados Unidos depois do triunfo da Revolução, em 1959), Cuba ofereceu sua ajuda ao Chile depois do terremoto que destruiu o país. Em 1963, o governo de Havana mandou sua primeira brigada médica composta de 55 profissionais à Argélia para ajudar a jovem nação independente a enfrentar uma grave crise de saúde. Desde aquele momento, Cuba estendeu sua solidariedade ao resto do mundo, particularmente à América Latina, à África e à Ásia. Em 1998, Fidel Castro elaborou o Programa Integral de Saúde, destinado a responder às situações de emergência. Graças a esse programa, 25 288 profissionais cubanos da saúde atuaram voluntariamente em 32 países.
Por outro lado, Cuba formou várias gerações de médicos de todo o mundo. No total, a ilha formou 38 920 profissionais da saúde de 121 países da América Latina, da África e da Ásia, particularmente mediante a Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM), fundada em 1999. Além dos médicos que cursaram seus estudos na ELAM em Cuba (cerca de 10 mil graduados por ano), Havana contribuiu para a formação de 29 580 estudantes de medicina em 10 países do mundo.
O Operação Milagre, lançada em 2004 por Cuba e Venezuela, que consiste em tratar vítimas de catarata e outras enfermidades oculares nas populações do Terceiro Mundo, é emblemática da política solidária de Havana. Desde tal data, cerca de 3 milhões de pessoas de 35 países recuperaram a visão, entre elas 40 mil na África.
Depois do furacão Katrina, que destruiu a cidade de Nova Orleans em setembro de 2005, Cuba criou o “Contingente Internacional de Médicos Especializados no Enfrentamento de Desastres e Grandes Epidemias Henry Reeve”, composto de 10 mil médicos. A ilha, apesar do conflito histórico com os Estados Unidos, ofereceu sua ajuda a Washington, que a rejeitou. A partir desse contingente, Cuba criou 39 brigadas médicas internacionais que já atuaram em 23 países.
Na África, cerca de 77 mil médicos e outros profissionais da saúde cubanos forneceram seus serviços em 39 dos 55 países [do continente]. Atualmente, mais de 4 mil, mais da metade deles médicos, trabalham em 32 países da África.
No total, cerca de 51 mil profissionais da saúde, entre eles 25 500 médicos, dos quais 65% são mulheres, trabalham em 66 países do mundo. Desde o triunfo da Revolução, Cuba realizou cerca de 600 mil missões em 158 países com a participação de 326 mil profissionais de saúde. Desde 1959, os médicos realizaram mais de 1,2 bilhão de consultas médicas, assistiram 2,3 milhões de partos, efetuaram 8 milhões de operações cirúrgicas e vacinaram mais de 12 milhões de mulheres grávidas e crianças.
Cuba escolheu oferecer solidariedade aos povos necessitados como princípio básico de sua política exterior. Dessa forma, apesar das dificuldades inerentes a todo país de Terceiro Mundo, Cuba mandou seis toneladas de medicamentos e material médico para Gaza. É um exemplo entre muitos outros. Fidel Castro explicou as razões: “Esse é um princípio sagrado da Revolução; isso é o que nós chamamos de internacionalismo porque consideramos que todos os povos são irmãos e antes da pátria está a humanidade”. Havana demonstra para o mundo que, apesar de recursos limitados, apesar das sanções econômicas estadunidenses que asfixiam o país, sem abandonar sua própria população (com um médico para cada 137 habitantes, Cuba é a nação melhor servida do mundo), é possível fazer da solidariedade um vetor essencial da aproximação e da amizade entre os povos.
Fonte: http://www.sul21.com.br/jornal/cuba-da-o-exemplo-na-luta-contra-o-virus-ebola-na-africa/


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Por que a Escócia não se tornou independente do Reino Unido?

A Escócia teve uma oportunidade única, após mais de 300 anos de debates, de se tornar independente. Por que a proposta foi rejeitada pela maioria? Especialistas apontam para 5 fatores

Escócia rejeitou a independência e continua no Reino Unido

Os escoceses tiveram a oportunidade histórica de decidir em plebiscito se queriam a sua independência do Reino Unido e rejeitaram a opção – 55% dos eleitores votaram contra a separação.
A decisão veio após meses de uma campanha acirrada. A campanha do “Sim” (pela independência) foi liderada pelo Partido Nacionalista Escocês. Apesar de predominante na política local, a proposta do partido foi derrotada pela campanha do “Não”.
Mas quais foram os fatores que acabaram influenciando o voto pelo “Não”? Especialistas apontam para 5 fatores:

1. O “Não” sempre foi o favorito

No começo da campanha, o “Não” já liderava. Quando o acordo de Edimburgo – que abriu caminho para realização do plebiscito – foi assinado, no dia 15 de outubro de 2012, pesquisas de opinião indicavam que um terço dos 4,2 milhões de eleitores escoceses queriam a independência.
Uma série de pesquisas nos próximos 18 meses sempre deram vitória ao “Não”.
Até junho deste ano, foram 65 pesquisas – e 64 indicavam uma vitória do “Não”.
“O ‘Não’ sempre foi favorito, por isso a pesquisa YouGov/Sunday Times publicada há dez dias, indicando vitória do “Sim”, criou tanta comoção”, disse o especialista em pesquisas de opinião, John Curtice.
Mas logo em seguida, novas pesquisas já indicavam uma vitória do “Não” novamente, e isso se sustentou até o dia da votação.

2. Os escoceses se sentem britânicos

Muitos acreditam que houve um renascimento no sentimento de “ser britânico” na Escócia – talvez provocado justamente pelo plebiscito.
Algumas pesquisas de opinião perguntam aos escoceses se sua identidade nacional é “britânica” ou “escocesa”. A resposta majoritária é “escocesa” – mas esse índice caiu de 75% para 65% entre 2011 e 2014. A resposta “britânica” cresceu de 15% a 23% no mesmo período.
“No fim das contas, a Escócia se sente moderadamente britânica”, diz Curtice.

3. O fator risco

A campanha pelo “Não” foi atacada pelos partidários do “Sim” por ser negativa demais. Alguns chegaram a falar em “Campanha do Medo”.
No entanto, o “Não” – cujo nome oficial de campanha era “Melhor Juntos” – foi bem-sucedido em “demover as pessoas da perspectiva de assumir um risco que não seria necessário”, nas palavras de Curtice. Dois dias antes do plebiscito, 49% das pessoas viam a independência como um fator de risco.
Em abril, o líder do partido nacionalista escocês e primeiro-ministro do Parlamento local, Alex Salmond, disse que a campanha do “Não” era “a mais baixo astral, negativa, deprimente e entediante” dos últimos tempos. Em contraste, ele classificava sua campanha pelo “Sim” como “positiva, empolgante e emocionante”.
A campanha do “Melhor Juntos” sempre negou as acusações, e disse defender as conquistas da Escócia dentro do Reino Unido.
O premiê britânico, David Cameron, que fez campanha pelo “Não”, alertou aos escoceses sobre os custos de um “divórcio doloroso”.

4. A disparada recente do “Sim” causou uma reação do “Não”

Uma pesquisa do YouGov/Sunday Times a apenas dez dias do pleito mostrou pela primeira vez uma vitória do “Sim”. Pela primeira vez, havia perspectiva clara de independência da Escócia.
A resposta do “Não” foi imediata. Líderes do governo e da oposição britânicas cancelaram seus compromissos e viajaram à Escócia. Até mesmo a bandeira escocesa foi içada em Downing Street, o escritório do premiê britânico em Londres.
O ex-premiê britânico Gordon Brown, que é escocês e ainda é bastante popular na região, divulgou um calendário para dar mais poderes ao Parlamento escocês, no caso de a Escócia permanecer no Reino Unido.
Os líderes dos três maiores partidos assinaram uma promessa conhecida como “fórmula Barnett” para dar mais poderes – e dinheiro – à Escócia.

5. Mais ricos ou mais pobres?

Essa foi uma das principais questões para os escoceses ao longo de toda a campanha.
A economia foi o principal palco de batalhas, com discussões sobre moeda, petróleo e investimentos. A vitória do “Não” sugere que os escoceses não estão convencidos de que a independência trará mais prosperidade.
A libra esterlina esteve no centro do debate. Os escoceses pró-independência prometeram negociar a manutenção da moeda, argumentando que isso estaria no interesse do Reino Unido e da Escócia. Mas isso foi rejeitado pelo governo em Londres desde o princípio.
Outro assunto debatido ferrenhamente foi a divisão do petróleo do Mar do Norte.
O governo escocês divulgou um estudo que argumentava que cada escocês estaria cerca de R$ 3 mil mais ricos em 15 anos. No entanto, esses dados foram contestados pelos britânicos.
Em última instância, não há resposta clara para essas perguntas, já que as condições concretas de uma Escócia independente só seriam negociadas caso o “Sim” tivesse vencido o plebiscito.
Mas a vitória do “Não” indica que os escoceses não se convenceram dos argumentos econômicos dados pela campanha separatista.
Fonte: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/09/independencia-da-escocia-5-motivos-para-rejeicao.html

terça-feira, 16 de setembro de 2014

ONU: racismo no Brasil é ‘estrutural e institucionalizado’

Geografia Humana e humanizada

Peritos da entidade concluíram o relatório afirmando que o “mito da democracia racial” ainda está presente na sociedade brasileira e que boa parte dela ainda “nega a existência de racismo”

O racismo no Brasil é “estrutural e institucionalizado” e “permeia todas as áreas da vida”. A conclusão é da Organização das Nações Unidas (ONU), que publicou nesta sexta-feira (12) seu informe sobre a situação da discriminação racial no país. Os peritos da entidade concluíram o relatório afirmando que o “mito da democracia racial” ainda está presente na sociedade brasileira e que boa parte dela ainda “nega a existência de racismo”.
“O Brasil não pode mais ser chamado de uma democracia racial e alguns órgãos do Estado são caracterizados por um racismo institucional, nos quais as hierarquias raciais são culturalmente aceitas como normais”, destacou a ONU.
Os técnicos da entidade estiveram no país entre os dias 4 e 14 de dezembro de 2013 e constataram que os negros são os que mais que mais são assassinados, os que têm menor nível de instrução, os menores salários, o menor acesso á saúde, os que morrem mais cedo e o que menos participam no Produto Interno Bruto (PIB).
A ONU sugere que se “desconstrua a ideologia do branqueamento que continua a afetar as mentalidades de uma porção significativa da sociedade”. Mas falta dinheiro, segundo o órgão, para que o sistema educativo reforce aulas de história da população afro-brasileira, um dos mecanismos mais eficientes para combater o “mito da democracia racial”.
Outra preocupação é relativa à violência policial, frequentemente empregada contra jovens negros: o direito à vida sem violência não está sendo garantido pelo Estado para os afro-brasileiros, afirmou a entidade.
“O uso da força e da violência para o controle do crime passou a ser aceito pela sociedade como um todo porque é perpetuada contra um setor da sociedade cujas vidas não são consideradas tão valiosas”, pontua o relatório.
Fonte: http://www.sul21.com.br/jornal/onu-racismo-no-brasil-e-estrutural-e-institucionalizado/