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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Para refletir

Paixões e ideologias no caso dos médicos

Por: Juremir Machado da Silva
Os melhores temas são aqueles que dividem.
Dividem quem deles trata.
Eu dou razão aos médicos brasileiros.
E dou razão ao governo brasileiro na importação de médicos.
Inclusive cubanos.
Os médicos brasileiros estão certos: falta infraestrutura.
As condições de trabalho são inadequadas.
O governo brasileiro está certo: se os médicos brasileiros não querem ir para Tabajara, é preciso importar quem queira ir realizar um trabalho básico, medicina preventiva.
Os médicos brasileiros têm razão: se juiz ganha mais de R$ 20 mil, por que médico aceitaria menos?
E os professores?
Imagino que todos os médicos sejam favoráveis a uma greve de professores por tempo indeterminado por salários muito melhores. Por que um professor deveria aceitar menos de R$ 10 mil?
Ou o justo seria também R$ 20 mil?
Eu acho errado o governo pagar para o governo cubano e não para os médicos cubanos.
Mas e se os médicos cubanos estiverem satisfeitos?
O Brasil financia a construção do porto de Mariel, em Cuba.
A Odebrecht o constrói.
Com dinheiro do BNDES.
Os empresários que ganham com isso não reclamam.
As empreiteiras financiam campanhas de todos os partidos.
O Brasil quer ajudar Cuba.
Mas os médicos são bons?
E as cidades que os receberão terão benefícios com isso?
Sou pura dúvida.
Fizemos uma entrevista com o Dr. Paulo Argolo, presidente do Sindicato Médico do RS.
Ele é contra a vinda dos médicos cubanos.
Informa que o piso salarial dos médicos é de R$ 20 mil.
Não é muito para um médico em começo de carreira?
Não é muito para um iniciante em medicina básica?
Está de acordo com a realidade do Brasil?
Eu dou razão aos médicos brasileiros: é preciso pedir o melhor.
Há médicos que pedem uma carreira estatal.
Isso não é meio cubano?
Seria uma carreira estatal pouco cubana: salário bom, emprego vitalício.
Eu só tenho dúvida: R$ 10 mil por mês para um médico formado com dinheiro público começar a carreira não é um baita negócio? Não é uma missão? Não é bonito? Não é moral?
Como pode Cuba ter uma alta expectativa de vida e uma taxa de mortalidade infantil mínima se sob os seus médicos pesa tamanha desconfiança? Será tudo truque de estatística?
Eles estão no Brasil para fazer medicina de família, o básico.
Será que não dão nem para isso?
Ou será que isso faz dos que serão tratados por eles cidadãos de segunda categoria?
Eu tenho dúvidas.
Conheço médicos que também as tem.
E conheço médicos com excelentes argumentos de um lado ou de outro.
Há quem só fique no debate ideológico, a rejeição à Cuba.
Afinal, o Brasil encontrou um jeito de fazer o que queria: dar uma força aos amigos cubanos.
Há quem só fique no corporativo em nome da reserva de mercado.
Os médicos sérios estão operando um exame minucioso da situação.
Por que os estrangeiros não são submetidos ao Revalida?
Não é a primeira vez que isso acontece. Em 1999, no governo FHC, cubanos também foram importados sem revalidação. Até a Inglaterra faz isso com estrangeiros. É um mau exemplo inglês?
Por que os brasileiros formados no Brasil também não são submetidos a um Revalida, uma prova dos nove dos conhecimento acadêmico, um exame de ordem como acontece com os advogados?
Ou não deveria existir o exame da ordem dos advogados? Todos ou ninguém?
Quando os médicos brasileiros atacam o programa Mais Médicos com certos argumentos eu me convenço e os aplaudo. Quando os defensores do Mais Médico argumentam em também me convenço e os aplaudo. Sem paixões nem ideologias – como deformação dos fatos – há mais dúvidas.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Geografia da população

Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes, segundo o IBGE

São Paulo é o estado mais populoso com mais de 43 milhões de habitantes

A população estimada do Brasil é de 201.032.714 habitantes, pelos dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes a junho deste ano. De acordo com o levantamento, há 7.085.828 habitantes a mais do que o registrado em julho de 2012, quando população brasileira estava estimada em 193.946.886. Os dados foram publicados nesta quinta-feira (29) no Diário Oficial da União.
São Paulo é o estado mais populoso do país com 43,6 milhões de habitantes, seguido por Minas Gerais com 20,5 milhões de residentes e Rio de Janeiro com 16,3 milhões de pessoas que declaram moradoras da região.
A Bahia registra 15 milhões de habitantes, o Rio Grande do Sul 11,1 milhões e o Paraná, 10,9 milhões de residentes. Em seguida aparecem Pernambuco com 9,21 milhões de habitantes, Ceará com 8,78 milhões, Pará com 7,97 milhões, Maranhão com 6,79 milhões, Santa Catarina com 6,63 milhões e Goiás com 6,43 milhões.
Com menos de cinco milhões de habitantes, estão Paraíba (3,91 milhões), Espírito Santo (3,84 milhões), Amazonas (3,81 milhões), Rio Grande do Norte (3,37 milhões), Alagoas (3,3 milhões), Piauí (3,18 milhões), Mato Grosso (3,18 milhões), Distrito Federal (2,79 milhões), Mato Grosso do Sul (2,59 milhões), Sergipe (2,19 milhões), Rondônia (1,73 milhão) e Tocantins (1,48 milhão).
A região Norte, tem três estados com menos de 1 milhão de habitantes. Roraima é o menos populoso, com 488 mil habitantes. O Acre tem 776,5 mil habitantes e o Amapá, 735 mil.
Mais informações: www.ibge.gov.br

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Revista Veja e sua propaganda ideológica

Uma mostra do jornalismo ideológico da Veja


A revista Veja não faz jornalismo.
Faz propaganda ideológica.
Eis a prova dos nove feita pelo jornalista Augusto Bissón: quando FHC trouxe médicos cubanos, eles foram tratados como doutores bem-vindos.Agora, podem colocar em risco a saúde da população.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Estamos em greve!

Estudantes e professores protestam contra ensino politécnico na Assembleia Legislativa e no Palácio Piratini

Dezenas de estudantes e integrantes do Cpers/Sindicato protestaram no saguão da Assembleia Legislativa, na Capital, na manhã desta terça-feira. Por volta das 10h30min, o grupo se dirigiu ao Palácio Piratini, depois seguiu em caminhada. O ato critica o ensino médio politécnico.

Uma audiência discutiria o ensino médio na Assembleia Legislativa, mas acabou sendo cancelada. O cancelamento foi forçado pela cobrança do Cpers de que a audiência fosse realizada em local onde todos os interessados pudessem acompanhar, como não havia espaço disponível para os manifestantes, a reunião foi transferida para data ainda indefinida, quando houver disponibilidade no Teatro Dante Barone.

— A revolta contra o ensino politécnico está explosiva, não só em Porto Alegre, mas em todo o Estado — diz Neiva Lazzarotto, da diretoria do Cpers.
Estudantes vieram inclusive de cidades do interior do Estado, como Lajeado, no Vale do Taquari. Laíse Hofmeister, 16 anos, aluna do 2º ano da Escola Estadual Érico Verissimo, afirma que um grupo saiu cedo da cidade, de ônibus, para participar da manifestação.
— Estou aqui para apoiar os professores e lutar contra o politécnico, porque atrapalha quem trabalha, que é meu caso, e o conteúdo ensinado não ajuda a preparar nem para o vestibular nem para o Enem — opina.
Manifestantes erguem cartazes e gritam palavras de ordem no saguão da Assembleia. Na semana passada, outra manifestação já havia sido realizada contra o ensino politécnico, bloqueando acessos do Centro Administrativo por cerca de duas horas.


Aconteceu de novo...

Jornal: Corintiano preso na Bolívia participou de briga no Mané Garrincha

Leandro (em destaque) preso na Bolívia pela morte do torcedor boliviano Kevin Espada
Um dos 12 corintianos presos em Oruro, suspeitos pela morte do jovem Kevin Espada, esteve envolvido na briga entre torcedores de Corinthians e Vasco, no último domingo, no Estádio Mané Garrincha em Brasília. Leandro Silva de Oliveira foi identificado pelo jornal ‘O Estado de S.Paulo'.
Em filmagens e fotos feitas pela publicação, Leandro aparece correndo dos jatos de spray de pimenta e em confronto com dois policiais militares. Segundo o jornal, o torcedor é sócio da Gaviões da Fiel e conhecido como Soldado.
O envolvimento no confronto em Brasília, porém, não traz nenhuma implicação para o torcedor no caso da morte de Kevin. Como os 12 corintianos foram considerados inocentes, a briga não terá nenhuma interferência no processo na Bolívia.
Leandro flagrado brigando no Mané Garrincha
Leandro faz parte do grupo de cinco torcedores que deixaram a prisão na Bolívia no dia 2 de agosto. Um mês antes, os outros sete corintianos detidos já haviam sido liberados, todos por faltas de provas de envolvimento no disparo que vitimou o torcedor do San Jose.
Ainda segundo ‘O Estado de S.Paulo', Hugo Nonato, tesoureiro de outra torcida organizada do Corinthians, a Pavilhão 9, e também preso na Bolívia, esteve no Mané Garrincha. Ele, porém, não foi identificado na briga generalizada nas arquibancadas.
Após a confusão em Brasília, quatro corintianos chegaram a ser detidos, mas foram liberados em seguida. A polícia local, no entanto, não divulgou o nome desses torcedores.
Pitaco do blogueiro:
Punição ao Corinthians já! E outra, será que a imprensa corintiana vai mostrar as famílias de novo, tentando fazer a opinião pública sentir peninha desses marginais travestidos de torcedores? Das duas, uma: ou ele sentiu saudade da cadeia, ou brigou sabendo que aqui no Brasil ele nunca irá preso por fazer arruaça.

Neve histórica no RS

Neve registrada em São José dos Ausentes é a maior em 13 anos

Fenômeno com tanta intensidade e duração não era registrado desde 2000

As ruas, campos e casas cobertas de gelo não são uma paisagem incomum em São José dos Ausentes. Acostumada com o fenômeno, que já apareceu neste ano, a cidade dos Campos de Cima da Serra é um dos destinos certos quando a previsão climática aponta para a possibilidade de neve. Mas desta vez o frio e a umidade capricharam e conseguiram uma marca histórica:
— No sentido de visibilidade, é a maior neve dos últimos 13 anos na área urbana. Foi muita quantidade, acumulou cerca de cinco centímetros — garante o engenheiro agrônomo Ronaldo Coutinho do Prado, da agência Climaterra.
Acompanhando de perto o tempo em São Joaquim (SC) e em cidades vizinhas, Prado lembra que em 2010 a neve também veio forte, mas o impacto não foi tão grande, pois os flocos derretiam antes de se acumular no chão. Em 2000, no entanto, o fenômeno foi bem semelhante.
Morador há 20 anos de São José dos Ausentes, o secretário municipal de Turismo Alziro Paim Rocha, ainda acredita que a neve desta quarta-feira superou a de 13 anos atrás.
— A de 2000 foi forte, parecida com esta. Só que a de hoje durou mais tempo. Era de manhã cedo e ainda estava nevando — comenta o secretário.
Somente neste ano, é a terceira vez que o fenômeno ocorre no município. No final de julho, a neve apareceu no começo da manhã. Já na metade de agosto, a neve teria caído apenas em pontos isolados, sem acumular grande quantidade. Para alegria dos turistas, a desta terça-feira deve permanecer firme até o começo da tarde. Às 10h30min, telhados e campos continuavam brancos.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Mais médicos


E SE OS MÉDICOS FOSSEM AMERICANOS ?




Representante do Ministério Público do Trabalho, em trepidante entrevista, nesta sexta-feira, a “suaves apresentadores” da GloboNews, teceu severas críticas à política de Saúde do Governo.

Omitiu-se, porém, quanto à Política Externa, à de Geração de Hidreletricidade e a Bolsa Família.

Mas, quase !

O guardião da CLT (oh !, Vargas, onde estás ?) deu a entender, por elipse, diante do obsequioso silêncio dos “suaves”, que os médicos cubanos trabalham sob regime de Escravidão.

(Bom era no tempo do Fulgêncio Batista !)

O amigo navegante provavelmente não assistirá a espetáculo mais deprimente e revelador do que essa resistência feroz à vinda de médicos estrangeiros.

Na verdade, a reação não é a médicos estrangeiros em geral, mas, porque, desde sempre, se soube que  os cubanos viriam, como vão, com competência de abnegação, a mais de 60 países no mundo.
Os cubanos virão para trabalhar onde os médicos brasileiros NÃO vão !

E é melhor que os brasileiros morram a serem atendidos por cubanos comunistas.

A campanha de ódio contra o Mais Médicos é a representação mais crua do reacionarismo brasileiro.

Da resistência dessa elite, que, segundo o Mino Carta, é a pior do mundo !

Como diz a amiga navegante baiana, e se os médicos cubanos fossem americanos ?

O que diria o Conselho Federal de Medicina ?

E o Conselho Regional de Medicina de São Paulo ?

O mesmo CRM que abrigou sob cumplicidade renovada as atividades do notável médico brasileiro Dr Roger Abdelmassih. Lembram dele?

Viva o Brasil !

O consolo é que o Padilha vem aí, do jaleco branco !

E vamos ver o Alckmin e o Aecio Neves levarem o CRM para o palanque.


Geografia Política

Dez informações sobre a saúde e a medicina em Cuba


Um dos principais argumentos da reação irada de entidades médicas brasileiras contra a vinda de médicos cubanos para o país consiste em questionar a qualidade e a competência dos profissionais cubanos. O presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto D’Ávila, chegou a dizer que “os cubanos poderão causar um genocídio” no Brasil. Os primeiros 400 médicos cubanos chegam ao Brasil neste fim de semana, em um convênio com a Organização Panamericana de Saúde (Opas). Uma das maneiras de aferir essa qualidade é levar em conta a realidade da saúde e da medicina em Cuba. Eis aqui dez indicadores e informações sobre a saúde cubana para a população brasileira avaliar (os dados são do governo cubano e da Organização Mundial da Saúde):
(1) Em Cuba, há 25 faculdades de medicina (todas públicas), e uma Escola Latino-Americana de Medicina, na qual estudam estrangeiros de 113 países, inclusive do Brasil . (Estudaram em Cuba e lá se formaram, entre outros, dois filhos de Paulo de Argollo Mendes, presidente há 15 anos do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul e critico ferrenho do programa Mais Médicos).
(2) Em 2012, Cuba formou 11 mil novos médicos. Deste total, 5.315 são cubanos e 5.694 vêm de 59 países principalmente da América Latina, África e Ásia. Desde a Revolução Cubana em 1959, foram formados cerca de 109 mil médicos no país. O país tem 161 hospitais e 452 clínicas para pouco mais de 11, 2 milhões de habitantes.
(3) A duração do curso de medicina em Cuba, como no Brasil, é seis anos em período integral. Depois, há um período de especialização que varia entre três e quatro anos. Pelas regras do sistema educacional cubano, só entram no curso de medicina os alunos que obtêm as notas mais altas ao longo do ensino secundário e em um concurso seletivo especial.
(4) Estudantes de medicina cubanos passam o sexto ano do curso em um período de internato, conhecendo as principais áreas de um hospital geral. A sua formação geral é voltada para a área da saúde da família, com conhecimento em pediatria, pequenas cirurgias, ginecologia e obstetrícia.
(5) Em Cuba há hoje 6,4 médicos para mil habitantes. No Brasil, esse índice é de 1,8 médico para mil habitantes. Na Argentina, a proporção é 3,2 médicos para mil habitantes. Em países como Espanha e Portugal, essa relação é de 4 médicos para cada mil habitantes.
(6) A taxa de mortalidade em Cuba é de 4,6 para mil crianças nascidas, e a expectativa de vida é de 77,9 anos (dados de janeiro de 2013). No Brasil, a taxa de mortalidade é de 15,6 para mil bebês nascidos (IBGE/2010).
(7) Em 1998, depois que o furacão Mitch atingiu a América Central e o Caribe, Fidel Castro decidiu criar a Escola Latino-Americana de Medicina de Havana (Elam) com o objetivo  de formar em Cuba médicos para trabalhar em países chamados subdesenvolvidos. A Organização Mundial da Saúde definiu assim o trabalho da Elam: “A Escola Latino-Americana de Medicina acolhe jovens entusiasmados dos países em desenvolvimento, que retornam para casa como médicos formados. É uma questão de promover a equidade sanitária. A Elam assumiu a premissa da “responsabilidade social”.
(8) Em 20 anos, médicos cubanos atenderam a mais de 25 mil afetados pela explosão em Chernobyl, incluindo muitas crianças órfãs. Desde o início do programa, em 1990, foram atendidos mais de 25.400 pacientes, a maioria deles crianças. 70% dos menores que receberam tratamento na localidade cubana de Tarará perderam seus pais e chegaram a Cuba com enfermidades oncológicas e hematológicas provocadas pela exposição à radiação.
(9) Segundo a New England Journal of Medicine, uma das importantes revistas médicas do mundo, o sistema de saúde cubano parece irreal. Todo mundo tem um médico de família. Tudo é gratuito. Apesar de dispor de recursos limitados, seu sistema de saúde resolveu problemas que o dos EUA não conseguiu resolver ainda.
(10) Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Cuba é o único país da América Latina que se encontra entre as dez primeiras nações do mundo com o melhor Índice de Desenvolvimento Humano em expectativa de vida e educação durante a última década.
Certamente o sistema de saúde cubano não é o paraíso na Terra e seus profissionais não são os melhores do mundo. No entanto, os indicadores e informações acima citados parecem credenciá-los para desenvolver um importante trabalho de medicina comunitária e medicina da família em comunidades pobres brasileiras que têm grande dificuldade de acesso a serviços de saúde. Os profissionais cubanos têm especialização e tradição de trabalhar justamente nesta área. E não representam nenhuma concorrência para profissionais brasileiros nesta área. Virá daí um genocídio???

sábado, 24 de agosto de 2013

Mídia e Geografia



Dar com uma mão e pegar muito mais com a outra é indefensável moralmente. Saiba mais sobre a hipocrisia de ações “filantrópicas” como o Criança Esperança

Imposto é um dos temas mais quentes do mundo moderno.
Nos Estados Unidos, por exemplo. Barack Obama usou isso como uma arma para atacar seu adversário republicano Mitt Romney. Romney é um homem rico, mas tem pagado bem menos imposto, proporcionalmente, do que um assalariado comum.
Obama o desafiou a publicar o quanto ele pagou nos últimos cinco anos. Se ele fizesse isso, Obama jurou que não tocava mais no assunto. Romney não fez, e se estrepou nas eleições.
No mundo, agora. Um levantamento de um instituto independente chamado TJN mostrou, em 2012, que mais de 30 trilhões de dólares estão escondidos em paraísos fiscais, longe de tributação. Se aquela cifra descomunal fosse declarada, ela geraria impostos de mais de 3 trilhões, considerada uma taxa (modesta) de 10%.
Lembremos. Imposto é chato e ninguém gosta, nem você e nem eu. Mas é com ele que governos constroem escolas, estradas, hospitais etc. Logo, eles são do mais absoluto interesse público.
Agora, o Brasil.
Uma notícia espetacular, a despeito do número esquálido de linhas, foi publicada há algum tempo na seção Radar, de Lauro Jardim, da Veja: a Globo, o Paraíso dos “PJs” está sendo cobrada em 2,1 bilhões de reais pela Receita Federal por impostos que alegadamente deveria recolher e não recolheu.
Segundo o Radar, outras 69 empresas foram objeto do mesmo questionamento fiscal. Todas acabaram se livrando dos problemas na justiça, exceto a Globo. Chega a ser engraçado imaginar a Globo no papel de vítima solitária, mas enfim.
Em nome do interesse público, a Receita Federal tem que esclarecer este caso. É mais do que hora de dar um choque de transparência na Receita – algo que infelizmente o governo Lula não fez, e nem o de Dilma, pelo menos até aqui.
Se o mundo fosse perfeito, a mídia brasileira cobriria a falta de transparência fiscal para o público. Mas não é. Durante anos, a mídia se ocupou em falar do mercado paralelo.
Pessoalmente, editei dezenas de reportagens sobre empresas sonegadoras. A sonegação mina um dos pilares sagrados do capitalismo: a igualdade entre os competidores do mercado. Há uma vantagem competitiva indefensável para empresas que não pagam impostos. Elas podem investir mais, cobrar menos pelos seus produtos etc.
Nos últimos anos, o assunto foi saindo da pauta. Ao mesmo tempo, as grandes corporações foram se aperfeiçoando no chamado “planejamento fiscal”. No Brasil e no mundo. O NY Times, há pouco tempo, numa reportagem, afirmou que o departamento contábil da Apple é tão engenhoso quanto a área de criação de produtos. A Apple tem uma sede de fachada em Nevada, onde o imposto corporativo é zero. Com isso, ela deixa de recolher uma quantia calculada entre 3 e 5 bilhões de dólares por ano.
Grandes empresas de mídia, no Brasil e fora, foram encontrando jeitos discutíveis de recolher menos. Na Inglaterra, soube-se que a BBC registrou alguns de seus jornalistas mais caros, como Jeremy Paxton, como o equivalente ao que no Brasil se chama de “PJ”. No Brasil, muitos jornalistas que escrevem catilinárias incessantes contra a corrupção são “PJs” e, aparentemente, não vêem nenhum problema moral nisso. Não espere encontrar nenhuma reportagem sobre os “PJs”.
Os brados contra a sonegação deixaram de ser feitos pela mídia brasileira quando as empresas aperfeiçoaram o ‘planejamento fiscal’ — uma espécie de sonegação legalizada, mas moralmente imoral.
O dinheiro cobrado da Globo – a empresa ainda pode e vai recorrer, afirma o Radar – é grande demais para que o assunto fique longe do público. A Globo costuma arrecadar 10 milhões de reais com seu programa “Criança Esperança”. Isso é cerca de 0,5% do que lhe está sendo cobrado. Que o caso saia das sombras para a luz, em nome do interesse público – quer a cobrança seja devida ou indevida.
A Inglaterra não apenas está publicando casos de empresas que pagam muito menos do que deveriam, como Google e Starbucks, como, agora, nomeou os escritórios de advocacia mais procurados por corporações interessadas na evasão legal.
De resto, a melhor filantropia que corporações e milionários podem fazer é pagar o imposto devido. O resto, para usar a grande frase shakesperiana, é silêncio.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Agora é greve!

Deflagrada greve de professores da rede estadual a partir de segunda (26/08/2013)


Paralisação por tempo indeterminado foi decidida em assembleia nesta sexta

Após quase três horas de reunião, professores ligados ao Cpers/Sindicato aprovaram convocação de greve da categoria nesta sexta-feira. A assembleia da classe ocorreu no Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre, que ficou lotado por 2,5 mil trabalhadores da educação. A paralisação começa a partir da próxima segunda-feira.

A decisão foi tomada por unanimidade. A categoria pretende informar, de forma oficial, o governador Tarso Genro sobre o assunto ainda nesta sexta-feira. Segundo o Cpers, a paralisação ocorre por tempo indeterminado e só deve ser suspensa com a retomada das negociações salariais.

Ainda no início desta semana, o Cpers já havia informado que a maioria dos núcleos do interior do Estado já havia aprovado a paralisação: como os de Passo Fundo (7º), Cruz Alta (11º), São Leopoldo (14º), Bento Gonçalves (12º), Alegrete (19º), Osório (13º) e Erechim (15º).

Governo diz estar disposto a negociar

Antes mesmo do início da assembleia dos professores, o governo do Estado publicou uma nota oficial onde diz que está disposto a manter o diálogo com a categoria. De acordo com o texto, o Executivo já havia proposto uma nova audiência, com a presença de membros de outras Pastas, para tratar das reivindicações da classe. Entretanto, conforme o governo gaúcho, a resposta da direção sindical foi o “silêncio”.

Leia a nota oficial do governo na íntegra:

“As declarações do CPERS de que o Governo do Estado não respondeu à pauta apresentada pelo sindicato não são verdadeiras. O documento entregue à direção do CPERS, no dia 15 de agosto de 2013, respondeu detalhadamente a cada um dos 27 itens apresentados.

Na reunião ocorrida no dia 19 de agosto, com o pedido de maior objetividade às respostas, o secretário de Estado da Educação, Jose Clovis de Azevedo, propôs outra audiência de negociação com a presença, inclusive, de secretários de outras pastas já que a pauta extrapola questões da educação.

Diante do silêncio da direção sindical para a continuidade das negociações, ficam em suspenso todos os avanços propostos como, por exemplo, as promoções de 2003-2012, o abono de faltas relativo a atividades sindicais entre 2008-2010 e a exclusão de servidores que atuam em escolas, no plano de carreira.

O Governo conclama os trabalhadores em educação para a manutenção do diálogo, instrumento capaz de garantir avanços à categoria”.

Oriente Médio: Guerra à vista

França cogita intervenção militar na Síria

Governo de François Hollande apoiaria ataque mesmo sem determinação da ONU, enquanto EUA mantêm discurso mais cauteloso


Um dia após a divulgação de imagens terrificantes que correram o mundo e as acusações a respeito do uso de armas químicas na Síria, o Ocidente ontem se dividia quanto ao que fazer.
Se de um lado os Estados Unidos diziam não estar certos de que esse tipo de armamento foi utilizado, de outro a França já falava em intervenção militar caso o uso seja confirmado.
– Neste momento, somos incapazes de determinar definitivamente se foram usadas armas químicas – ponderava a porta-voz da diplomacia americana, Jennifer Psaki, acrescentando que “o presidente (Barack Obama) ordenou que os serviços de inteligência reúnam o mais rapidamente possível relatórios adicionais”, para definir o rumo a ser tomado.Se os EUA concluírem que o regime sírio recorreu ao uso de armas químicas, seria uma “escalada flagrante e escandalosa”, definiu Psaki. O uso de armas químicas é a condição manifestada por Obama para realizar uma intervenção militar.

Já a França defendeu o uso de força internacional independentemente da ONU para resolver o conflito, sempre ressalvando que devem ser comprovadas as denúncias de rebeldes de que o regime de Bashar al-Assad realizou ataque com agentes tóxicos na periferia de Damasco.
De acordo com a oposição síria, tropas aliadas ao ditador bombardearam quatro cidades da periferia de Damasco com um gás que afeta o sistema nervoso, deixando centenas de mortos. O regime sírio nega.
O Conselho de Segurança da ONU pediu “clareza” sobre o ataque, que teria matado 1,3 mil pessoas. Enquanto isso, monitores que estão na Síria ainda não receberam autorização do regime para chegar ao local. O secretário-geral, Ban Ki-moon, decidiu enviar a Damasco a representante para assuntos de desarmamentos, Angela Kane.
Irã e Rússia põem culpa na oposição
O detalhe é que o Conselho sempre corre o risco de ter determinações vetadas pela Rússia, aliada do governo sírio. Por isso, o outros países se veem com as mãos atadas.
A Alemanha também pediu ontem que se investigue o incidente. Já a Turquia afirmou que “todos os limites já foram ultrapassados na Síria” e criticou as potências ocidentais por não terem tomado ações para impedir a continuidade do conflito, que já deixou mais de 100 mil mortos, segundo a ONU.
O chefe da diplomacia do Irã, Mohammad Javad Zarif, acusou os rebeldes sírios de terem sido eles, e não o governo, que promoveram o ataque químico. A opinião faz coro com o discurso russo, de apoio a Al-Assad.
As dúvidas
O que aconteceu?
Após um bombardeio do exército nos arredores de Damasco, opositores afirmam que foguetes com agentes tóxicos caíram em áreas habitadas por civis na região de Ghouta, matando mais de mil pessoas, entre elas muitas crianças e jovens.

Quem seria capaz de um ataque desse porte?
O governo admitiu estocar armas químicas, mas afirma que jamais as usaria dentro do país. A Rússia garante que o ataque foi obra da oposição, embora EUA e Grã-Bretanha digam não acreditar que os rebeldes tenham acesso a armas químicas.

Como se podem verificar as acusações?
Tudo depende da rapidez dos investigadores da ONU em chegar até as áreas supostamente afetadas. Quanto mais rápido conseguirem coletar materiais, maior a probabilidade de determinarem de forma conclusiva o uso ou não de armas químicas. No entanto, a ONU não tem permissão do governo sírio para investigar a área onde teria ocorrido o último ataque.

Os vídeos podem ser falsos?
Segundo o regime, as “fotografias mostradas foram fabricadas, e a campanha foi planejada com antecedência”. No entanto, para analistas, tanto a quantidade quanto o detalhe das filmagens divulgadas torna improvável a hipótese de que os registros sejam manipulados.


Programa Mais médicos

Mais de 70% dos médicos cubanos vão para o Norte e Nordeste

A maioria dos médicos cubanos (74%), que chegarão ao Brasil na próxima segunda-feira (26), vão trabalhar nas regiões Norte e Nordeste, informou na quinta-feira (22) o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa. “A vantagem dos acordos bilaterais é que eles estão vindo para aqueles locais onde o Brasil indica que é preciso um médico. São regiões que não foram escolhidas pelos médicos brasileiros nem estrangeiros”, explicou. O secretário participou, durante a manhã, de um encontro preparatório sobre o Programa Mais Médicos com representantes de prefeituras paulistas.

O anúncio da contratação de profissionais de Cuba foi feita ontem (21) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Espera-se que, até o final do ano, 4 mil médicos cheguem ao país. Nesta primeira etapa do acordo, que inicia na segunda-feira, 400 profissionais desembarcam no Brasil e mais 2 mil são aguardados no dia 4 de outubro. Eles vão passar pelo mesmo processo de avaliação dos médicos com diploma estrangeiro e não precisarão revalidar o diploma.
Os cubanos vão suprir a demanda de 701 municípios que não foram escolhidos por nenhum médico na primeira chamada do programa. “São médicos que se dispõem, que têm muita experiência em missões internacionais e já atuaram em outros países. Dentro de um acordo bilateral, eles vão trabalhar em locais onde há infraestrutura e um acolhimento da prefeitura”, destacou Barbosa.
O secretário rebateu a crítica de entidades médicas brasileiras de que esses profissionais estariam vindo ao país em regime de semiescravidão. “Todos esses médicos estão vindo voluntariamente. Terão previdência paga pelo ministério. Alimentação e moradia paga pelo município. Dificilmente isso se assemelha a qualquer coisa parecida com escravidão”, respondeu.
Especificamente sobre os médicos de Cuba, Barbosa reforçou que o Brasil repassará ao governo cubano a mesma quantia destinada aos demais profissionais, R$ 10 mil. O repasse será feito por intermédio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). “Nós repassamos o recurso para a Opas, que, por sua vez, passa ao Ministério da Saúde de Cuba, que paga os cubanos. Eles vão receber o salário que o governo paga em missões no exterior”, apontou, sem informar o valor.
Segundo o secretário, cerca de 30 mil médicos cubanos trabalham em outros países, como Haiti e Venezuela. “Não podemos pagá-los diretamente. O governo cubano só aceita enviar através de um acordo bilateral”, disse. Ele relembrou que essa prática, de importação de médicos, já foi adotada no Brasil, na década de 1990, quando a maioria dos médicos da atenção básica em Roraima, no Tocantins e em alguns estados do Nordeste era de Cuba. “Nunca soubemos de nenhum erro desses médicos e nenhum problema de imperícia. Nem mesmo que tenha havido denúncia de trabalho escravo”, declarou.
Barbosa informou que esses profissionais, assim como os demais contratados, terão alimentação e moradia custeados pelo governo municipal. “Pela formação mais completa que eles têm, específica em atenção básica de saúde, nada indica que eles não vão prestar um excelente trabalho agora”, defendeu. Ele aposta que a contribuição do país parceiro terá impacto, sobretudo, na redução da mortalidade infantil, dos casos de tuberculose, de hanseníase. “Eles vão fazer com que essas pessoas tenham mais acesso à saúde”, declarou
Pitaco do blogueiro: 
Chegam em boa hora visto que os médicos daqui não querem trabalhar em regiões afastadas dos grandes centros urbanos. Médicos que vêm de um país onde a mortalidade infantil é quase zero e a saúde pública é de ótima qualidade.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Espaço sul-americano

Presidente do Equador quer consulta popular sobre eliminação de jornais impressos


O presidente do Equador, Rafael Correa, anunciou na segunda-feira (19) que pretende fazer uma consulta popular no país sobre a eliminação dos jornais diários impressos para evitar a derrubada de árvores. Em sua conta no Twitter, Correa reprovou as críticas que recebeu da imprensa após o anúncio de que pretende explorar uma jazida petrolífera do Parque Yasuní, na Amazônia equatoriana. “Agora os maiores ecologistas são os diários mercantilistas”, escreveu no Twitter.
Rafael Correa comentou a proposta de indígenas, políticos e ambientalistas de submeter a decisão de explorar o petróleo no parque à consulta popular. “Se vamos a consulta [sobre a exploração], proporemos também jornais diários somente digitais para economizar papel e evitar a derrubada indiscriminada de árvores”, levantou na rede social.
O parque é uma reserva mundial e não havia extração de petróleo no local. O projeto foi criado em 2007 na expectativa de que a comunidade internacional compensasse financeiramente a não exploração. O Parque Yasuní tem 20% das reservas estimadas de petróleo do Equador (920 milhões de barris) .
O presidente equatoriano também sugeriu que o tema está sendo “politizado” por grupos que querem derrotar o governo, manipulando jovens sobre o tema. Durante o programa Enlace Cidadão, ele também disse que a decisão de acabar com a iniciativa ambiental Yasuní “causou-lhe grande tristeza”
Pitaco do blogueiro:.
Óbvio que essa decisão, se aprovada, terá consequências políticas, mas qual decisão de governantes não as têm? Os opositores dirão que é uma medida para conter seus adversários políticos. Seus seguidores aprovarão com louvor essa medida. Enfim, essa é a política. Contudo, não se pode negar que, muitas promessas são feitas no que diz respeito a questão ambiental e pouco se faz na prática e essa atitude de Rafael Correa finalmente visa diretamente a preservação do meio ambiente. Aliás, jornais impressos cada vez mais, em nosso mundo atual, podem ser considerados obsoletos e antiecológicos.

domingo, 18 de agosto de 2013

Cenários geográficos do mundo

Acordo direto do Brasil com a UE pode gerar turbulência no Mercosul


O atraso nas negociações para um acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia – que se arrastam há mais de uma década sem perspectivas de se concretizarem – fez com que o Brasil, pela primeira vez, acenasse com a intenção de deixar de lado os parceiros sul-americanos e buscar um acordo individual com os europeus.
A intenção teria sido transmitida pelo chanceler Antonio Patriota em entrevista ao Financial Times. Segundo o jornal, o ministro disse que há expectativa de que cada país possa negociar em “velocidades distintas” com a UE. O Itamaraty atribuiu a polêmica a um erro de interpretação do diário. Mas nos círculos diplomáticos a possibilidade já é, há tempos, discutida.
Realidade ou não, a intenção brasileira reflete um enfado de longa data com as negociações entre UE e Mercosul. E pode criar novos atritos entre os parceiros sul-americanos, ameaçando fragilizar um bloco já minado por disputas comerciais – como entre Brasil e Argentina – e políticas – como a crise em torno do Paraguai.
“A conversa entre Brasil e União Europeia sinaliza que as negociações entre os blocos Mercosul e União Europeia não vão prosperar”, analisa Ana Soliz Landivar, do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais (Giga), em Hamburgo. “Apesar dos esforços diplomáticos para manter essas negociações vigentes, o que é realizado de fato tem levado a necessidade de o Brasil de se abrir”.
Protecionismo como obstáculo
As conversas entre o Mercosul e UE foram lançadas em 1999, mas interrompidas em 2004. Em 2010, as negociações voltaram à pauta dos dois blocos, mas sofreram reveses devido a obstáculos criados pelos dois lados. Há anos os europeus não escondem sua discordância com as medidas adotadas em algumas economias sul-americanas, sobretudo na Argentina, e já deixaram claro que, enquanto houver protecionismo, um acordo não sairá do papel.

Segundo a reportagem do Financial Times, a intenção do governo Dilma Rousseff estaria relacionada não só ao atraso de um possível acordo entre Mercosul e UE, mas também devido ao crescimento econômico do Brasil, que poderia perder o benefício tarifário a partir de janeiro de 2014 para suas exportações ao bloco europeu.
No ano passado, a Comissão Europeia aprovou uma nova legislação que excluirá o Brasil do Sistema Geral de Preferências (SGP), já que ele foi reclassificado como país de renda média alta pelo Banco Mundial – a classificação compreende Estados com renda per capita entre 3.976 dólares e 12. 275 dólares. O Brasil é responsável por 37% do comércio entre América Latina e União Europeia.
Para economistas, a possibilidade de o Brasil realizar “voo solo” sem o Mercosul estaria de acordo com os interesses de um país que, por sua economia mais diversificada e seus interesses específicos, se difere de seus parceiros sul-americanos.
“A Argentina, por exemplo, há anos está com a sua indústria destruída e tem uma base industrial pequena e não competitiva”, diz Celso Grisi, economista da Fundação Instituto de Administração (FIA). “Tudo isso faz com que o Brasil seja um player isolado nesses interesses e leva, sem dúvida nenhuma, à necessidade de manter negociações específicas e pontuais, e não em bloco.”
Acordo, só com consenso
Além de refletir o início de uma mudança de postura Brasil, que sempre, ao menos publicamente, apostou no Mercosul, a opção de um acordo individual pode levar o bloco sul-americano a passar por sérias turbulências. As regras do Mercosul proíbem países de assinar unilateralmente, sem o consentimento dos demais parceiros sul-americanos, acordos que envolvem comércio de mercadorias.
“O modelo do Mercosul é como se fosse uma área de livre comércio imperfeita. Por isso que existe este mecanismo de consulta, que tem um peso maior do que deveria ter”, diz Virgílio Arraes, professor de História Contemporânea da UnB. “Uma questão hipotética: se o Brasil importasse remédio da Índia para vender no Mercosul, os laboratórios farmacêuticos não teriam condições de competir.”
Na semana passada, o comissário europeu do Comércio, Karel de Gucht, se mostrou interessado por um acordo individual com o Brasil, o que faria com que as exportações europeias se beneficiassem com a queda das tarifas para entrar no mercado brasileiro – principalmente pelo fato de a demanda interna europeia estar enfraquecida por causa da crise.
Apesar das intrigas internas no Mercosul, da resistência europeia e dos sucessivos retrocessos nas negociações na última década, o discurso oficial brasileiro, como repetido por Patriota na semana passada, é de que o acordo entre os dois blocos sairá do papel em até um ano. Ao que tudo indica, no entanto, o Brasil teria outra carta na manga caso não der certo.

Fonte: http://www.sul21.com.br/jornal/2013/08/acordo-direto-do-brasil-com-a-ue-pode-gerar-turbulencia-no-mercosul/

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Egito em chamas

O massacre no Cairo e sua herança (por Robert Fisk)

O cristal egípcio rompeu-se. A “unidade” do Egito – aquela cola patriótica e essencial que manteve o país unido desde a derrubada da monarquia, em 1952 e o governo de Nasser – derreteu em meio aos massacres, tiroteios e fúria, ontem no ataque brutal à Irmandade Muçulmana. Uma centena de mortos – 200, 300 “mártires” [o número de vítimas continua subindo: 638, na quinta-feira à noite, segundo o New York Times] - não faz diferença o resultado: para milhões de egípcios, o caminho da democracia tem sido dilacerado entre balas e brutalidade. Os muçulmanos que buscam um Estado baseado em sua religião poderão confiar nas urnas novamente?
Em 1992, na Argélia; no Cairo em 2013 – e quem sabe o que acontecerá na Tunísia nas próximas semanas? – os muçulmanos que conquistaram o poder, de forma justa e democrática através do voto, foram em seguida derrubados do poder. E quem pode esquecer o bloqueio brutal sobre Gaza quando os palestinos votaram – mais uma vez democraticamente – para o Hamas? Não importa quantos erros a Irmandade Muçulmana tenha cometido no Egito – nem quão promiscuas ou estúpidas fossem suas leis – o presidente democraticamente eleito Mohamed Morsi foi derrubado pelo Exército. Foi um golpe de Estado, e John McCain estava certo ao usar essa palavra.

A Irmandade, é claro, deveria há muito tempo ter reprimido seu amor próprio e tentando manter-se dentro da casca de pseudo-democracia permitida pelo Exército no Egito. Não porque fosse justo ou aceitável, mas para não ser obrigada a retornar à clandestinidade, prisões à meia-noite, torturas e martírio. Este tem sido o papel histórico da Irmandade – com períodos de colaboração vergonhosa com ocupações britânicas e ditaduras militares no Egito. O retorno à escuridão sugere dois resultados: que a Irmandade será extinta em meio à violência; ou vai ter sucesso, em algum momento distante, na criação de uma autocracia islâmica.
Os sábios da mídia fizeram seu trabalho venenoso antes de o primeiro cadáver ser sepultado. “O Egito pode evitar uma guerra-civil”?, perguntavam. Será que os “terroristas” da Irmandade Muçulmana pode ser dizimada pelo exército? E aqueles que se manifestavam antes da queda de Morsi? Tony Blair foi apenas um dos que falou sobre a importância de evitar o iminente “caos”, ao conceder o seu apoio ao general Abdul-Fattah al-Sisi. Cada incidente violento no Sinai, cada arma empunhada pelas mãos da Irmandade Muçulmana vai ser usada para convencer o mundo de que a organização – que na verdade é um movimento islâmico muito mal armado, e muito bem organizado – era o braço direito da al-Qaeda.
A história pode enxergar de outro modo. Será certamente difícil explicar como milhares – talvez milhões – de liberais egípcios bem-formados continuaram a dar suporte incondicional ao general, que passou boa parte do tempo após a queda do ditador Mubarak justificando os teste de virgindade do Exército entre as manifestantes do sexo feminino na Praça Tahrir. Al-sisi estará sobre pressão nos próximos dias; ele que sempre foi supostamente simpatizante da Irmandade, embora a origem dessa ideia possa ser o fato de sua esposa sempre ter usado o véu para encobriu o corpo todo, deixando apenas os olhos aparentes. Muitos intelectuais da classe média que deram seu apoio ao exercito, terão que espremer suas consciências em uma garrafa para acomodar o futuro.
Poderia Mohamed el-Baradei, Prêmio Nobel e especialista nuclear, a mais famosa personalidade – aos olhos ocidentais, não egípcios – no “governo interino —  ter permanecido no poder? Claro que não. Ele teve que ir, pois ele nunca desejou tal resultado, quando apostou seu poder político e concordou em sustentar a escolha de ministros feita pelo Exército, depois do golpe no mês passado. Mas o círculo de escritores e artistas que insistem em afirmar o golpe de Estado como uma continuidade da revolução de 2011, terá que usar – depois do banho de sangue e da renúncia de el-Baradei – alguma linguística bem angustiada, para escapar da culpa moral.

Preparem-se, é claro, para as habituais perguntas-jargões. Será que isso significa o fim do Islã político? No momento, certamente; a Irmandade Muçulmana não terá disposição para tentar outras experiências na democracia – uma recusa que é o perigo imediato no Egito. Pois, sem liberdade, há violência. Será que o Egito se transformará em outra Síria? Improvável. O Egito não é um Estado sectário – nunca foi, mesmo com 10% dos seus habitantes cristãos –, nem inerentemente violento. Nunca experimentou a selvageria das revoltas argelinas contra os franceses, ou as insurgências sírias, libanesas e palestinas contra os britânicos e franceses. Mas muitos fantasmas estarão curvarão suas cabeças envergonhados, hoje. Entre eles, Saad Zaghloul, o grande advogado revolucionário do levante de 1919. E o general Muhammed Neguib, cujas exigências revolucionarias de 1952 são tão similares às exigências dos que se reuniram na praça Tahrir, em 2011.
Mas sim, algo morreu hoje no Egito. Não a revolução, porque em todo o mundo árabe conserva-se íntegra — embora ensanguentada —  a noção de que os países pertencem aos povos, não a seus governantes. A inocência morrem, é claro, tal como acontece após cada revolução. O que expirou hoje foi a ideia de que o Egito era a mãe eterna da nação árabe, o ideal nacionalista, a pureza da história segundo a qual o Egito considerava todo o seu povo como seus filhos. Porque as vítimas da Irmandade – assim como a polícia e os partidários do governo – são também filhas do Egito. E ninguém disse isso. Eles haviam se tornado os “terroristas”, o novo inimigo do povo. Esta é a nova herança do Egito.
Robert Fisk é um jornalista do britânico "The Independent" e é especializado em conflitos internacionais.
Fonte: www.sul21.com.br